Em uma noite de celebração e reconhecimento, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) prestou homenagem à Umbanda e suas lideranças religiosas, marcando o Dia da Umbanda, celebrado nacionalmente no dia 15. A sessão solene, proposta pelo deputado estadual Gilberto Ribeiro (PL), transformou o Plenário em um espaço de exaltação à cultura afro-brasileira, com umbandistas trajando vestimentas tradicionais como filás, ojás e guias. Apresentações e momentos de celebração religiosa permeados de axé também compuseram a solenidade.
A cerimônia foi aberta com a adaptação da tradicional saudação da Alep para “Sob a proteção de Olorum”, proferida por Gilberto Ribeiro, que destacou a urgência em proteger a liberdade religiosa e combater a intolerância. “Ter respeito e permitir que cada um viva sua religiosidade é o mais importante”, enfatizou o deputado, compartilhando ainda sua jornada pessoal de encontro com a fé umbandista durante sua luta contra o câncer. A iniciativa sublinhou a importância do diálogo inter-religioso e do respeito à diversidade de crenças.
A Federação Umbandista do Estado do Paraná (Fuep), fundada em 1968, foi homenageada por seus esforços na preservação das tradições afro-brasileiras, na defesa da liberdade religiosa e na promoção da inclusão social. Mãe Silvana, presidente da Fuep, expressou a importância do evento: “Para a nossa comunidade, é uma oportunidade de empoderamento e fortalecimento do nosso axé”. Ela ainda complementou: “Estar aqui hoje é uma forma de nos apresentar socialmente, reconhecer que a nossa religião também faz parte do conjunto de religiões presentes na sociedade e que estamos aqui para um bem maior.”
Dados do Censo 2022 do IBGE revelam um crescimento significativo da adesão à Umbanda e ao Candomblé no Brasil, alcançando 1,05% da população. No Paraná, são 58,5 mil adeptos, com 21.242 concentrados em Curitiba, um aumento notável em relação aos números de 2000. “A nossa sociedade agora está com mais força para se autodeclarar umbandista e candomblecista. Antes vivíamos mais escondidos. Esse número cresce também pela nossa oportunidade de afirmar nossa identidade”, avaliou Silvana, refletindo sobre a crescente visibilidade e aceitação das religiões de matriz africana.
Contudo, a intolerância religiosa persiste, afetando a comunidade umbandista. Pai Geverson de Xangô, diretor administrativo da Fuep, ressaltou que “O ponto comum que deveria predominar em todas as religiões é o respeito. Quando existe o respeito, existe o amor”, referindo-se à discriminação enfrentada pelos praticantes. Em 2024, a maioria das denúncias de intolerância registradas pelo Ministério dos Direitos Humanos teve como vítimas pessoas ligadas à Umbanda e ao Candomblé.
Ivânia Ramos dos Santos, da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi), destacou a contribuição da Umbanda para o estado. “A comunidade umbandista faz um trabalho de conscientização e política pública nos municípios […] Ela vem se destacando pela defesa de toda e qualquer comunidade e pela importância de se unir pela liberdade”, afirmou Ivânia, enfatizando o papel ativo da comunidade na construção de políticas públicas e na defesa dos direitos humanos.
Pai Jimmy de Iemanjá, presidente do Conselho Deliberativo da Fuep, finalizou: “É um passo muito importante para a Fuep ser reconhecida dentro dos poderes do Paraná, uma vez que é o reconhecimento institucional de um trabalho sério, comprometido com a defesa das religiões de matrizes africanas e com os direitos dos umbandistas do Estado”. Durante a solenidade, foram distribuídas menções honrosas a 35 personalidades que contribuem para a proteção, difusão e valorização da Umbanda no Paraná, incluindo quatro agraciados com o Prêmio Axé.