Investigação aponta danos à indústria local e riscos para exportações brasileiras.
Decisão da China sobre importações de carne bovina acende alerta para o Brasil, maior fornecedor do produto.
A recente decisão da China de classificar as importações de carne bovina como causadoras de “dano grave” à sua indústria doméstica trouxe um alerta significativo para o Brasil, o maior fornecedor de carne bovina ao mercado chinês. Com a China absorvendo 53,9% das exportações brasileiras entre janeiro e novembro de 2025, qualquer mudança na política comercial chinesa pode impactar diretamente o setor.
Contexto da Investigação
O relatório que desencadeou a preocupação foi enviado ao Comitê de Salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e destaca um aumento abrupto nas importações de carne bovina, que cresceram de 165,9 mil toneladas em 2019 para 273,7 mil toneladas em 2023. Esse crescimento resultou em uma alteração na participação da carne importada no consumo interno chinês, que subiu de 20,5% para 30,9%. A pressão sobre a indústria local é evidente, com uma queda generalizada em preços, lucros e produtividade.
Riscos para o Brasil
A situação é alarmante para o Brasil, que, conforme a investigação, não está incluído na lista de países em desenvolvimento que poderiam ser isentos de restrições. Isso significa que o Brasil, junto com outros grandes fornecedores como Argentina e Austrália, permanece vulnerável a tarifas adicionais e cotas. O governo brasileiro está ciente de que restrições no mercado chinês podem acarretar impactos diretos sobre os preços e o planejamento da indústria frigorífica.
Possíveis Medidas e Repercussões
Enquanto os Estados Unidos já solicitaram esclarecimentos sobre as conclusões da investigação, o Brasil observa a situação de perto. O governo chinês ainda não definiu quais medidas serão adotadas, mas a possibilidade de cotas ou tarifas adicionais é um risco que todos os envolvidos devem considerar. Além disso, a elevada concentração das exportações brasileiras em um único mercado levanta questões sobre a necessidade de diversificação.
Como Participar
Para entender melhor o que está em jogo, as entidades do setor estão atentas e em diálogo com o governo. É essencial que produtores e frigoríficos estejam preparados para qualquer eventualidade que possa surgir da investigação. O desfecho não apenas afetará as relações comerciais de curto prazo, mas também a estratégia a longo prazo do Brasil no mercado global de carne bovina.
O episódio reforça a urgência de diversificação de mercados para reduzir a vulnerabilidade do setor brasileiro diante de decisões estratégicas da China, o que se torna ainda mais crucial em um cenário de incertezas comerciais.


