Novas cotas e tarifas impactam o comércio e a economia do setor pecuário brasileiro.
A nova cota de importação de carne bovina pela China pode impactar diretamente o mercado brasileiro, que é o principal fornecedor para o país.
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A nova política da China para a importação de carne bovina, que estabelece cotas e uma tarifa de 55%, promete transformar o cenário do comércio internacional e afetar significativamente a economia do setor pecuário brasileiro. A medida, que entra em vigor em 1º de janeiro e será válida até 2028, determina que o Brasil, principal fornecedor de carne ao país asiático, terá uma cota que não se alinha ao volume atual de exportações.
O que muda com as novas medidas?
A decisão de implementar cotas específicas por país resulta em um limite de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina para o Brasil em 2026, com incrementos anuais. A tarifa adicional de 55% será aplicada sobre qualquer volume que exceda essa cota, o que gera preocupação entre os exportadores brasileiros. O cenário se torna ainda mais complexo quando se considera que o Brasil já exportou 1,499 milhão de toneladas até novembro deste ano, totalizando US$ 8,028 bilhões em receitas.
Detalhes das cotas de importação
As cotas estabelecidas pela China, que visam proteger a indústria local de carne bovina, incluem:
Brasil: 1,106 milhão de toneladas em 2026
Argentina: 511 mil toneladas
Uruguai: 324 mil toneladas
Nova Zelândia: 206 mil toneladas
Austrália: 205 mil toneladas
Estados Unidos: 164 mil toneladas
Impactos no mercado brasileiro
Os efeitos da nova política não são apenas econômicos, mas também estratégicos. A medida pode levar a um encarecimento do produto brasileiro no mercado chinês ou a uma reorientação das exportações, forçando o Brasil a diversificar seus mercados. A preocupação é reforçada pelo fato de que a China responde por aproximadamente 45% das importações de carne bovina do Brasil.
Justificativa da China
O Ministério do Comércio da China (Mofcom) justifica a adoção das novas cotas com a alegação de que o aumento das importações de carne bovina causou danos à indústria local, refletindo a pressão de produtores que se sentem prejudicados pela competição estrangeira. Apesar da intenção de flexibilizar as medidas ao longo do tempo, a tarifa de 55% permanecerá sobre o volume que exceder as cotas.
O que esperar do futuro?
As cotas não utilizadas não poderão ser transferidas para os anos seguintes, o que agrega um nível de incerteza ao planejamento dos exportadores brasileiros. O cenário global de comércio e as negociações diplomáticas poderão influenciar revisões nas medidas, tornando essencial para o Brasil manter uma vigilância ativa sobre as políticas internacionais e a dinâmica do mercado.
A implementação dessas novas regras de importação representa um divisor de águas para o comércio de carne bovina brasileira com a China, exigindo uma reavaliação das estratégias de exportação e um foco renovado na diversificação de mercados.

