Lições do Uruguai mostram por que o leite é mais barato que no Brasil

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Entenda como a eficiência na produção leiteira pode ser um caminho para melhorar os custos no Brasil.

A diferença de preço do leite entre Uruguai e Brasil revela lições importantes sobre eficiência e manejo de pastagens.

O preço do leite no Uruguai se destaca por ser consistentemente mais competitivo em comparação com o Brasil, levantando questões sobre a eficácia do modelo de produção adotado. Especialistas apontam que a diferença está diretamente relacionada ao manejo eficiente das pastagens, recurso abundante no país vizinho. Para o agronegócio brasileiro, as lições são cruciais, enfatizando a importância da aplicação rápida de conhecimentos técnicos na produção de leite.

O panorama da produção leiteira no Uruguai

Recentemente, o pesquisador Jean, que atua no Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA) do Uruguai, compartilhou insights sobre a produção leiteira em um vídeo no YouTube. Ele destaca que, por conta das menores dimensões geográficas do Uruguai, a disseminação de inovações técnicas é mais eficiente. “O conhecimento chega mais fácil para os produtores”, explica Jean. O INIA promove eventos frequentes, permitindo que os produtores implementem rapidamente as tecnologias desenvolvidas localmente e as práticas de países com tradição pastoril, como Nova Zelândia e Austrália.

O que o Brasil pode aprender sobre gerenciamento de pastagens

A busca por conhecimento técnico no Uruguai resulta em um profundo domínio sobre o uso de espécies forrageiras. Os produtores uruguaios são ativos na exploração de variedades de azevém, pastagens perenes e misturas com alfafa e trevo branco, fatores que contribuem para o sucesso na pecuária leiteira. No entanto, tanto no Uruguai quanto no Rio Grande do Sul, a dificuldade permanece: como utilizar a forragem de forma eficiente.

A produção de leite de baixo custo está diretamente ligada ao manejo correto das pastagens. O sistema a pasto é mais econômico em comparação com dietas que dependem de suplementos. Aqui, algumas dicas para os produtores brasileiros:

  • Planejamento forrageiro: Um plano bem elaborado é essencial para garantir pastagem durante todo o ano, evitando períodos de escassez.
  • Manejo adequado: É crucial não apenas planejar, mas também seguir rigorosamente o manejo. A falta de pasto leva à suplementação, o que eleva os custos.
  • Intensidade de pastejo: Deve ser moderada. Os animais devem deixar entre 20% a 30% de pastagem intocada, permitindo um rebrote mais rápido.

Como otimizar a produção de leite

O correto manejo da pastagem, onde a colheita é feita apenas na parte superior, assegura um retorno eficiente e produtivo. Em vez de esperar 30 dias para o rebrote, sob boas práticas o tempo pode ser reduzido para 10 ou até 5 dias, em culturas como o sorgo. O professor Paulo menciona a “perda invisível” que ocorre quando os animais são forçados a comer todo o pasto, resultando em uma queda significativa na produção total.

A chave para a produção bem-sucedida está em garantir que o manejo respeite a estrutura ideal das pastagens, permitindo 15 pastejos em 130-140 dias para variedades como azevém e até 40 pastejos para o Tifton em um ano.

Ao adotar essas práticas, o Brasil pode não apenas reduzir os custos de produção, mas também aumentar a eficiência do setor leiteiro. Com uma abordagem focada em planejamento e manejo, é possível aprender com a experiência uruguaia e aplicar soluções que beneficiem o agronegócio local.

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