Estratégias de amputação ajudam a preservar a colônia
Formigas realizam amputações para evitar infecções em companheiras, revelando um comportamento médico surpreendente.
Biólogos têm revelado um comportamento surpreendente no mundo das formigas: a prática de amputações cirúrgicas em companheiras feridas. Esse fenômeno, observado na espécie Camponotus floridanus, evidencia a capacidade dessas criaturas de realizar intervenções médicas para garantir a saúde da colônia.
A importância do cuidado coletivo
O estudo publicado na revista Current Biology descreve que, ao identificar ferimentos graves, as formigas tomam a decisão de amputar um membro para evitar infecções fatais. Este processo é nada menos que cirúrgico, onde as formigas utilizam suas mandíbulas para realizar cortes precisos, minimizando assim o risco de contaminação.
Etapas do procedimento cirúrgico
1. Avaliação inicial: As formigas operárias inspeccionam cuidadosamente o local da lesão, avaliando o risco de infecção sistêmica.
2. Assepsia bucal: Antes de realizar qualquer corte, a formiga cirurgiã lambe e limpa a ferida meticulosamente para prepará-la para a intervenção.
3. Amputação: Caso a lesão ocorra no fêmur, a perna é removida em um procedimento que leva apenas alguns minutos.
O que mais impressiona os pesquisadores é a seletividade do tratamento. Nem todos os ferimentos resultam em amputação. As formigas parecem basear sua decisão na velocidade do fluxo da hemolinfa (o “sangue” dos insetos), que indica quão rapidamente uma infecção pode se espalhar pelo corpo.
- Lesões no fêmur: O fluxo mais lento nessa região permite uma amputação segura e eficaz.
- Lesões na tíbia: Com um fluxo mais rápido, a amputação torna-se ineficaz, levando as formigas a focarem na limpeza intensa da ferida.
Essa intervenção médica não é aleatória; é um comportamento adaptativo que assegura a sobrevivência e eficiência da colônia. Os dados coletados mostram que as formigas tratadas possuem uma taxa de sobrevivência significativamente maior do que aquelas que não recebem assistência.
A complexidade social das formigas
O nível de cuidado demonstrado por essas formigas revela uma organização social complexa, raramente observada em insetos. As formigas-carpinteiras não apenas reconhecem o sofrimento de suas semelhantes, mas também possuem um protocolo de “primeiros socorros” que rivaliza com práticas de higiene em vertebrados superiores.
Esse cuidado não apenas reduz o impacto de patógenos dentro do formigueiro, mas também demonstra que a medicina é uma ferramenta vital para a prosperidade da colônia. Ao salvar uma operária, a colônia economiza recursos e energia, reforçando a importância desse comportamento médico no contexto social das formigas.
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