Cremação intencional de mulher revela rituais funerários antigos na África

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Descoberta arqueológica no Malawi desafia conhecimento sobre práticas funerárias pré-históricas.

Uma descoberta no Malawi revela a cremação mais antiga da África, desafiando a visão sobre rituais funerários em comunidades pré-históricas.

A recente descoberta arqueológica no Malawi está reescrevendo a história dos rituais funerários em comunidades da Idade da Pedra. Um estudo publicado na revista Science Advances confirma que, há cerca de 9.500 anos, um grupo de caçadores-coletores cremou intencionalmente o esqueleto de uma mulher, desafiando a crença de que tal prática era rara para a época.

Uma nova visão sobre rituais funerários

A cremação, que sempre foi considerada uma prática pouco comum em sociedades caçadoras-coletores devido ao alto custo em recursos naturais e trabalho, agora ganha um novo significado. A evidência encontrada no local conhecido como Hora 1, no Monte Hora, é a mais antiga de cremação intencional já identificada na África e a pira funerária mais antiga do mundo dedicada a adultos.

Os restos carbonizados indicam que a mulher, de baixa estatura (aproximadamente 1,45 a 1,55 metro), foi submetida a um ritual que envolveu uma pira construída com 30 quilos de madeira e capim seco. Curiosamente, a análise sugere que a carne foi removida antes da cremação, e a ausência de dentes e ossos do crânio levanta questões sobre o que pode ter ocorrido com a cabeça da mulher.

Contexto histórico e cultural

Historicamente, a cremação sempre foi vista como uma prática impraticável para grupos de caçadores-coletores. Até agora, a evidência mais antiga de uma pira funerária conhecida vinha do Alasca, datando de cerca de 11.500 anos, mas envolvia os restos de uma criança. No caso do Malawi, a evidência sugere um ritual deliberado e elaborado, indicando que a mulher pode ter ocupado uma posição de destaque em sua comunidade.

Jessica Thompson, autora do estudo, comentou que o evento foi tão significativo que obriga a repensar a visão sobre trabalho em grupo e rituais em sociedades antigas. Além disso, as escavações revelaram que o local continuou a ser utilizado para grandes fogueiras por centenas de anos após a cremação, embora nenhuma outra cremação tenha ocorrido ali. Essas queimas posteriores podem ter servido como cerimônias simbólicas, mantendo viva a memória do ritual original.

Reflexões sobre a descoberta

Essa descoberta não apenas fornece insights sobre os rituais funerários da época, mas também desafia a compreensão do papel social da mulher na comunidade. A cremação, uma prática rara e complexa, sugere uma organização social mais sofisticada do que se pensava anteriormente. O estudo abre portas para novas investigações sobre a cultura e as práticas sociais de caçadores-coletores na África, iluminando um período histórico que ainda guarda muitos mistérios.

A pesquisa se torna um marco, não apenas pela evidência da cremação, mas pelo que essa prática reflete sobre a vida, a morte e a memória nas comunidades pré-históricas. A busca por entender o que aconteceu com a cabeça da mulher pode ser apenas o começo de uma nova era de descobertas arqueológicas que prometem expandir nosso conhecimento sobre o passado distante da humanidade.

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