A inflação de janeiro, medida pelo IPCA, subiu 0,33%, sendo interpretada como uma "resistência técnica" e uma possível "reversão na tendência de desinflação". Apesar disso, a situação não deve barrar o início do ciclo de corte de juros na reunião do Copom prevista para março. A alta acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%, acima do registrado em dezembro, mas dentro da banda de tolerância.
Os preços administrados tiveram um papel importante no resultado de janeiro, com destaque para a gasolina, que subiu 2,06% devido ao aumento do ICMS. Essa alta contribuiu para um aumento de 0,6% no grupo de Transportes. Em contrapartida, a ativação da bandeira verde nas tarifas de energia elétrica gerou uma deflação de cerca de 2,7% no item energia, ajudando a conter a inflação.
O comportamento dos alimentos no domicílio também teve impacto na inflação, com uma alta modesta de apenas 0,10%. Os preços do leite apresentaram deflação de 2,3%, enquanto aves e ovos caíram 1,4%. Para os analistas, a leitura de janeiro não indica um aumento descontrolado da inflação, mas sim uma resistência técnica que pode dificultar o processo de desinflação.
A pressão no setor de serviços e o aquecimento do mercado de trabalho permanecem como pontos de atenção. Os núcleos e serviços subjacentes mostraram-se mais pressionados do que o previsto, o que poderá impactar as decisões futuras sobre política monetária.

