O Bradesco espera um crescimento entre 15% e 20% na sua carteira de agronegócio até 2026, que atualmente é de R$ 120 bilhões. Essa expansão ocorre em um cenário em que concorrentes estão reduzindo suas exposições e o mercado de capitais enfrenta uma diminuição na oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e fundos do agronegócio (Fiagro). Em resposta, o banco pretende aumentar sua equipe e reforçar a presença em feiras do setor.
Roberto França, diretor de agronegócio do Bradesco, destacou que, apesar de alguns bancos reduzirem seus posicionamentos, a produção no campo continua rentável. O aumento dos custos financeiros, no entanto, está impactando o fluxo de caixa dos produtores. Ele enfatizou que a atividade agrícola é saudável, mas os custos financeiros estão consumindo a caixa livre dos produtores.
Atualmente, com a taxa Selic em 15%, o crédito rural com recursos livres está sendo contratado entre 18% e 22% ao ano. Além disso, o Plano Safra representa apenas cerca de um terço do financiamento total do setor. França também mencionou que a carteira de Cédula de Produto Rural (CPR) com recursos livres já ultrapassa R$ 500 bilhões no Brasil, com 80% da concessão do Bradesco ao agronegócio ocorrendo fora das linhas subsidiadas.
Para o futuro, o banco planeja manter suas 17 plataformas especializadas em agronegócio, com equipes dedicadas em regiões específicas, totalizando mais de 150 profissionais focados exclusivamente nesse setor. Essa estratégia é uma resposta à crescente produção brasileira, que deve alcançar cerca de 350 milhões de toneladas de grãos nesta safra, em comparação com aproximadamente 100 milhões em 2001.

