A pecuária no semiárido brasileiro requer mais do que investimento; demanda uma estratégia genética adequada. Um dos principais desafios para a lucratividade na região é a escolha errada do Zebu, pois muitos produtores se baseiam em raças que têm sucesso em outras partes do país, sem considerar as condições específicas do bioma Caatinga, como o estresse térmico e a escassez de forragem.
É comum que a padronização racial leve à escolha do Nelore, o qual, apesar de ser fundamental na pecuária nacional, pode não ser a melhor opção em áreas de seca extrema sem um suporte nutricional rigoroso. A eficiência produtiva está ligada à capacidade de termorregulação e ao aproveitamento de fibras de baixa qualidade. Assim, ao escolher o Zebu, o produtor deve analisar o histórico da raça e suas características, priorizando a adaptabilidade ao ambiente.
Raças como Sindi e Guzerá se destacam por suas qualidades adaptativas. O Sindi, de porte médio, apresenta menor exigência de manutenção e se mantém em melhor condição corporal durante períodos de seca prolongada. O Guzerá, por sua vez, é considerado uma opção de dupla aptidão, sendo capaz de sobreviver com dietas restritivas, como aquelas à base de cactáceas, sem afetar sua saúde.
Para evitar erros na escolha do Zebu, é essencial que o pecuarista utilize Dados de Avaliação Genética (DEPs) que levem em conta a adaptabilidade das raças. Avaliar o microclima da propriedade e focar na eficiência alimentar são passos importantes. Além disso, é recomendável buscar suporte técnico e programas de melhoramento que ajudem na seleção de linhagens adequadas ao ambiente de altas temperaturas.

