As divergências entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente de Israel, Isaac Herzog, começaram a aparecer após o fim da guerra com o Hamas e se agravaram com a crise em torno de um possível perdão judicial ao chefe de governo.
O estopim foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou Herzog e defendeu o indulto ao premiê. Netanyahu enfrenta três processos criminais em Israel, que envolvem acusações de corrupção, fraude e abuso de confiança.
A reação do entorno de Herzog foi imediata. Fontes próximas ao presidente levantaram suspeitas sobre possível participação de Netanyahu nas críticas e cobraram explicações. Herzog tomou conhecimento das declarações enquanto retornava a Israel após visita oficial de vários dias à Austrália e respondeu em nota: “Israel é um Estado soberano.”
A questão é que, caso Herzog não conceda o perdão, ele terá de encarar a pressão da direita israelense. O professor Eyal Zisser, vice-reitor da Universidade de Tel-Aviv, afirma que a força de Netanyahu está na direita mais radical, que tem estruturado o governo e tem uma influência significativa na governabilidade de Netanyahu.

