O Banco Master foi envolvido em um esquema de fraude que utilizou a supervalorização de um cemitério em Sabará, Minas Gerais, para criar um patrimônio fictício. Um relatório da Polícia Federal, enviado ao Supremo Tribunal Federal, indica que o bem pertencia à VHR Empreendimentos, do fundo Graveyard Death and Care (Care11). Avaliado em R$ 181 milhões, o cemitério Terra Santa foi usado para sustentar o valor das ações do fundo na formação do banco em 2016.
A Comissão de Valores Mobiliários identificou uma ação coordenada para elevar artificialmente o preço das cotas. Uma empresa ligada à família de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, era sócia do cemitério. A investigação revelou que o banco aceitou as cotas de uma empresa do próprio grupo pelo preço que ele mesmo estabeleceu, criando um lastro contábil sem valor real.
A discrepância nos valores chamou a atenção dos órgãos de controle, especialmente quando o fundo reajustou o valor do ativo para R$ 111,7 milhões em 2020, ainda indicando sobrepreço. A CVM comunicou a situação à Polícia Federal, que incluiu os dados no inquérito sobre Vorcaro. Os investigadores afirmam que o cemitério foi o ponto de partida para o uso de ativos inflacionados, permitindo a emissão de mais CDBs e a captação de novos investidores.
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade, assegurando que as operações estavam em conformidade com as normas de mercado. Contudo, peritos da Polícia Federal apontam que o uso de propriedades com preços fictícios era crucial para ocultar a fragilidade do banco, permitindo que a instituição registrasse bens bilionários em seus balanços e, assim, atrasasse sua falência, atraindo capital com garantias fraudulentas.

