O clima no Palácio do Planalto é de apreensão após a confirmação do rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola, que homenageou o presidente Lula em seu enredo, terminou na última colocação. Auxiliares do presidente avaliam que o desfile provocou um "vento contrário" ao governo, ao utilizar dinheiro público em um ambiente considerado provocativo por muitos, mobilizando até eleitores inertes na disputa política.
A ala intitulada "neoconservadores em conserva" se tornou um dos principais pontos de discórdia, gerando reações de líderes religiosos e da oposição. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou o desfile por expor a fé cristã ao escárnio, enquanto a senadora Damares Alves classificou o uso de verba pública para ridicularizar a igreja e o agronegócio como "inadmissível". Até mesmo o pastor Oliver Costa Goiano, do PT, considerou as fantasias da ala um excesso.
O deputado Otoni de Paula enfatizou que o episódio complica a relação de Lula com os cristãos, destacando que a justificativa de desconhecimento sobre as fantasias não convence o eleitorado. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Gilberto Nascimento, também endossou as críticas, afirmando que o desfile tratou os conservadores como inimigos do país.
Além da polêmica ideológica, a Acadêmicos de Niterói enfrentou problemas operacionais, com alegorias presas na dispersão e correria no encerramento da apresentação. A agremiação recebeu apenas duas notas dez durante a apuração. O enredo incluiu críticas diretas à gestão de Jair Bolsonaro na pandemia, mas as falhas técnicas e a rejeição política selaram o destino da escola. Agora, no Planalto, a preocupação é quanto tempo durará o impacto negativo na imagem do presidente.

