A Transparência Internacional criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou à Polícia Federal a intimação de Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), para prestar depoimento sobre declarações à imprensa. A entidade considerou a medida uma forma de intimidação, apontando traços de autoritarismo institucional e um enfraquecimento democrático, além de aumentar tensões entre o Judiciário e órgãos de fiscalização.
A crítica surgiu no contexto de um inquérito que investiga um suposto vazamento de dados fiscais de ministros do STF. Cabral foi convocado após questionar a condução das investigações e expressar dúvidas sobre a responsabilidade dos auditores fiscais envolvidos. A Transparência Internacional destacou que a convocação de um dirigente sindical por suas declarações públicas pode ter um impacto negativo mais amplo, criando um clima de medo entre servidores públicos, como auditores e promotores.
O depoimento de Cabral foi realizado de forma virtual. Em declarações anteriores, ele afirmou não haver indícios claros de vazamento por parte dos auditores investigados e defendeu que as apurações respeitem o devido processo legal. A Unafisco reiterou a importância da presunção de inocência e da proporcionalidade nas medidas adotadas. Até o momento, o ministro não se manifestou publicamente sobre as críticas da organização internacional.

