Mudanças legislativas buscam regulamentar a mineração em terras indígenas e definir limites para demarcações.
Senado aprova marco temporal e regulamentação da mineração em terras indígenas, gerando debates acalorados.
O cenário político brasileiro se intensificou com a aprovação, pelo Senado Federal, de um marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Essa decisão, que estabelece 5 de outubro de 1988 como data limite para reivindicações, além de regulamentar a mineração em terras indígenas, está no centro de um debate que promete aquecer a agenda política em 2026.
Contexto da Aprovação
A votação do Senado, ocorrida ao final de 2025, foi marcada por intensos debates e divisões de opinião. A proposta visa não apenas definir a posse da terra, mas também o uso econômico desses territórios, especialmente em relação à exploração mineral. A Constituição de 1988 já permite a mineração em terras indígenas, condicionada à autorização do Congresso e à consulta prévia às comunidades afetadas.
Composição do Grupo de Trabalho
Para regulamentar essa questão, o Senado criou, em outubro de 2025, o Grupo de Trabalho sobre Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas (GTMTI), liderado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). O grupo tem um prazo de 180 dias para discutir e propor um projeto de lei que preencha as lacunas legais existentes. Até o momento, duas audiências públicas já foram realizadas, com mais cinco programadas para 2026, abordando temas cruciais como impactos socioambientais e modelos de consulta aos povos indígenas.
Pontos de Controvérsia
O relator do grupo, senador Rogério Carvalho (PT-SE), destacou a importância de um debate organizado e inclusivo. Ele reconheceu as divergências sobre a consulta prévia e a participação dos povos indígenas nos lucros da mineração. A falta de regulamentação clara tem fomentado a mineração ilegal na Amazônia, levando a conflitos sociais e danos ambientais significativos.
A Resposta do Senado
Durante os debates, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), enfatizou a necessidade de um marco que traga segurança jurídica, embora tenha reconhecido que a proposta não resolve todos os problemas de demarcação. Os defensores do marco temporal argumentam que ele pode facilitar o desenvolvimento econômico e fortalecer a gestão indígena sobre seus territórios.
Desafios Futuros
Com a aprovação do marco temporal e a instalação do grupo de trabalho, o Senado sinaliza que a questão das terras indígenas e da mineração permanecerá como um dos principais desafios políticos. A busca por um equilíbrio entre direitos constitucionais, proteção ambiental e desenvolvimento econômico se mostra complexa e crucial. O futuro das comunidades indígenas e a regulamentação da mineração em suas terras estão em jogo, e a resposta legislativa será um reflexo das tensões sociais e políticas que caracterizam o Brasil atual.



