A captura do ex-ditador Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, em janeiro deste ano, na Venezuela, foi rápida, com a força de elite Delta dos Estados Unidos rompendo bloqueios para levá-los a julgamento. No entanto, a mesma facilidade não se aplica ao regime teocrático do Irã. A morte do aiatolá Ali Khamenei ou a aliança com Israel não garante uma transição de poder semelhante à ocorrida na Venezuela.
No Irã, o poder é distribuído em uma teocracia complexa, com uma rede de instituições que sustentam o regime. O líder supremo, até recentemente Khamenei, é apoiado por clérigos, conselhos religiosos e militares leais ao sistema religioso-político, criando uma estrutura que dificulta uma troca de liderança simples.
A segurança do regime iraniano é reforçada por instituições como a Corporação da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que atua como um “Estado dentro do Estado”, e as Forças Basij, uma milícia paramilitar responsável pela vigilância e repressão a dissidências. Essas camadas de proteção garantem a coesão ideológica e a resistência a mudanças abruptas.
Em comparação, a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) da Venezuela, embora numerosa, não possui a mesma estrutura e coesão do sistema iraniano. A politização de suas forças de segurança é evidente, mas a falta de profissionalização em defesa do regime limita sua eficácia em resistir a rupturas significativas.

