O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), atuou para evitar uma derrota na Segunda Turma e garantir a manutenção da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Antes do início do plenário virtual, Mendonça compartilhou com os demais ministros a representação da Polícia Federal e os documentos que fundamentaram a decisão de decretar as prisões em 4 de março, buscando assegurar que todos os elementos que embasaram a medida fossem considerados.
Mendonça já contava com o apoio de Luiz Fux, mas precisava consolidar um terceiro voto para formar maioria. O voto de Kassio Nunes Marques era o mais incerto. Após a abertura do plenário virtual, o STF formou maioria para manter a prisão preventiva, com Fux e Nunes Marques acompanhando o relator. O voto de Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma, ainda está pendente, com prazo até o dia 20 para manifestação.
A pressão por uma decisão diferente foi intensa, com lideranças do Centrão buscando a transferência de Vorcaro para prisão domiciliar, temendo que uma delação pudesse afetar políticos relevantes. Um ministro descreveu a tentativa como constrangedora, afirmando ser inaceitável a soltura do banqueiro diante das evidências apresentadas.
Em seu voto, Mendonça reafirmou a decisão monocrática e contestou os argumentos da defesa e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O relator apontou que Vorcaro faz parte de uma “perigosa organização criminosa armada” e mencionou um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”, envolvido em atividades ilegais e ameaças a críticos do conglomerado financeiro. Mendonça indicou indícios de que Vorcaro teria ordenado a simulação de um assalto para agredir um jornalista, evidenciando a gravidade das acusações.

