O campo magnético da Terra atua como um escudo contra raios cósmicos galácticos (RCGs), que podem danificar superfícies expostas, como a da Lua, que carece de atmosfera. Estudos anteriores já indicavam que a Lua recebe proteção temporária ao atravessar a magnetosfera terrestre, mas uma nova pesquisa revela que essa proteção pode ocorrer em outras regiões de sua órbita.
A pesquisa, publicada na revista Science Advances, analisou dados do Módulo de Nêutrons e Dosimetria (LND) da sonda chinesa Chang’E-4. Os cientistas registraram uma queda de 20% na quantidade de RCGs atingindo os detectores do lado oculto da Lua durante a “manhã” lunar, um fenômeno que dura cerca de dois dias a cada ciclo lunar. A análise de 31 ciclos demonstrou que este não é um evento isolado.
Os RCGs são compostos principalmente por prótons, átomos de hélio e partículas mais pesadas. A redução observada afetou mais os prótons de baixa energia, enquanto os de alta energia foram desviados em menor intensidade. Campos magnéticos, mesmo a uma certa distância, ainda exercem influência sobre as partículas, alterando suas trajetórias, um fenômeno que é mais pronunciado em prótons com menor energia.
Essas descobertas são relevantes para a segurança de futuros astronautas na Lua. Conhecer áreas com menor radiação pode ajudar a proteger tanto a saúde humana quanto equipamentos sensíveis. Planejamentos de atividades lunares em momentos de menor radiação podem ser realizados, e estudos futuros poderão mapear a extensão dessa zona protetora, beneficiando também missões em outros corpos celestes.

