A presença crescente de alimentos ultraprocessados nas dietas globais pode impactar a fertilidade e o desenvolvimento embrionário. Um estudo realizado em Roterdã, na Holanda, revelou que o consumo elevado desses produtos está associado à redução da fertilidade masculina e a interferências no desenvolvimento do embrião durante a gestação.
Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Erasmus acompanharam 831 mulheres e 651 homens desde antes da concepção até o início da gestação. Ao analisar os hábitos alimentares, o tempo para engravidar e o desenvolvimento inicial dos embriões, os cientistas encontraram uma relação associativa, sem comprovação de causa direta.
Os ultraprocessados já são conhecidos por estarem ligados a problemas de saúde, como câncer e doenças cardiovasculares. No estudo, constatou-se que esses alimentos representam cerca de 60% da dieta em países de alta renda, enquanto no Brasil, esse número é de aproximadamente 23%, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo.
Entre os casais analisados, o consumo médio foi de 22% entre as mulheres e 25% entre os homens. A maior ingestão entre os homens foi relacionada a um aumento no risco de subfertilidade. O impacto nas mulheres se manifestou de forma diferente, inicialmente sem relação com a fertilidade, mas afetando o desenvolvimento embrionário.

