A desembargadora Eva do Amaral, que atua no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), possui à sua disposição um carro híbrido avaliado em R$ 175 mil, além de um motorista particular, todos custeados pela instituição. Recentemente, durante uma sessão da 3ª Turma de Direito Penal, a magistrada fez críticas aos cortes de gratificações que afetam o Judiciário, afirmando que os juízes estão se aproximando de uma situação semelhante à "escravidão".
Eva do Amaral expressou sua preocupação ao revelar que seus colegas magistrados estão enfrentando dificuldades financeiras, chegando a evitar consultas médicas devido à falta de recursos. A desembargadora ressaltou que a redução dos penduricalhos compromete a capacidade de arcar com despesas essenciais e medicamentos. A declaração dela gerou repercussão nas redes sociais, sendo amplamente compartilhada.
Em março, a desembargadora recebeu uma remuneração bruta de R$ 117,8 mil, um valor que a coloca em uma posição financeira muito superior à média da população brasileira. O veículo que utiliza é um modelo BYD King GS 2025/2026, recém-lançado, e sua locação inclui características como bancos de couro e isolamento acústico, conforme contrato estabelecido.
O TJPA justifica a manutenção de sua frota alegando a necessidade de transporte para os desembargadores durante sessões e audiências. A Corte investe R$ 544 mil mensalmente para manter 40 veículos e motoristas exclusivos para os magistrados, totalizando um contrato de R$ 32,6 milhões ao longo de cinco anos.
A diferença salarial de Eva do Amaral em relação à população é expressiva. A remuneração de R$ 117,8 mil a coloca entre os 1% mais bem pagos do Brasil, e também dos paraenses. Comparando com outras profissões, esse valor representa 838% do salário de um médico que trabalha 40 horas semanais no Pará, 2.513% do que ganha um enfermeiro e 3.338% do que um professor da educação básica recebe.

