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Expectativas de corte na Selic refletem incertezas inflacionárias e geopolíticas

Economistas preveem redução de 0,25 p.p. na taxa Selic para 14,50%, apesar da inflação pressionada por oscilações no preço do petróleo e incertezas externas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se encontra diante de um cenário desafiador, com a decisão sobre a taxa de juros programada para esta quarta-feira, 29. A expectativa dos economistas aponta para um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,50%. Este movimento busca criar um equilíbrio entre a necessidade de estimular a economia e a pressão inflacionária decorrente dos preços das commodities.

Desde a última reunião do Copom em março, o panorama econômico tornou-se mais complicado. O Bank of America (BofA) destaca um aumento na inflação, com os índices gerais e os núcleos mostrando uma leve alta. Essa situação é atribuída principalmente ao aumento dos preços do petróleo, impactados pelo conflito no Oriente Médio, que afetou significativamente o fluxo de demanda pelo Estreito de Ormuz, elevando e tornando volátil o custo do barril.

O impacto desse cenário já é visível no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que apresentou uma alta surpreendente, especialmente na categoria de transportes. O J.P. Morgan observa que esse aumento reflete diretamente os custos dos combustíveis, indicando que as consequências da situação geopolítica exigem do Banco Central uma análise cuidadosa sobre a duração desse efeito.

Como resultado da escalada nos preços, a maioria dos analistas teve que revisar suas previsões inflacionárias. Rodolfo Margato, economista da XP, reforça que a expectativa de inflação para 2026 saltou de 3,8% para mais de 5% com o início da guerra. Leonardo Costa, do ASA, apresenta projeção semelhante, enquanto o BofA projeta o IPCA ao final de 2027 em níveis elevados.

Apesar dos riscos evidentes, a expectativa de cortes na taxa Selic permanece, porém com um ritmo mais cauteloso. O J.P. Morgan e o BofA concordam com a redução de 0,25 p.p. nesta reunião, e o BofA sugere que a Selic pode chegar a 13,25% ao final de 2026. Para os próximos meses, a Planner Investimentos menciona possíveis cortes na ordem de 0,25 p.p. em abril, junho e agosto, podendo haver uma aceleração para 0,50 p.p. dependendo das condições políticas e econômicas.

Margato também ressalta a possibilidade de um corte de 0,50 p.p. em junho, embora essa previsão dependa significativamente da evolução do cenário externo. Rodolpho Sartori, da Austin Rating, estabelece uma Selic terminal em 12,5% para 2026. No entanto, também alerta para um viés altista, podendo a taxa chegar a patamares de 12,75% ou até 13%, caso o conflito se estenda por mais tempo. Essas estimativas refletem uma postura defensiva por parte do Banco Central, que busca um ajuste fino até que as expectativas inflacionárias de longo prazo sejam estabilizadas.

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