O governo federal, liderado pelo presidente Lula, prevê contar com 16 votos a favor da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa expectativa surge após mudanças na composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que ocorreram antes da sabatina marcada para quarta-feira, 29 de abril de 2026.
As alterações na comissão incluem a troca do senador Sergio Moro (PL-PR) por Renan Filho (MDB-AL) e de Cid Gomes (PSB-CE) pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). Moro se posiciona contra a indicação, enquanto Cid Gomes não se manifestou sobre sua posição. A expectativa de senadores alinhados ao governo é que os novos membros da CCJ votem favoravelmente a Messias, contribuindo para uma base mais sólida.
Com essa nova configuração, o governo amplia sua margem de apoio na comissão, que antes contava com 14 votos, o número mínimo necessário para a aprovação. Interlocutores afirmam que a mudança foi estratégica para garantir uma votação mais favorável a Messias.
A articulação em torno da sabatina envolve líderes governistas, como Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues, que trabalham para assegurar os votos necessários. Além disso, ministros do governo também foram mobilizados para participar da votação. O senador Wellington Dias planeja deixar temporariamente seu cargo para comparecer e votar, enquanto Camilo Santana foi acionado para fortalecer a base de apoio.
Sergio Moro criticou a decisão de alterar a comissão, afirmando que foi informado de sua substituição sem aviso prévio. Ele argumentou que essa manobra do governo indica incertezas sobre a aprovação da indicação. Moro também apontou que a mudança tem como objetivo limitar possíveis questionamentos durante a sabatina, evidenciando um temor do governo em relação a uma discussão aberta e transparente.
Durante a sabatina, Jorge Messias deve enfrentar perguntas sobre temas relevantes, incluindo o caso do Banco Master, decisões do STF relacionadas aos atos ocorridos em 8 de janeiro e questões envolvendo o aborto. Para a aprovação de sua indicação ao STF, é necessário que Messias obtenha pelo menos 41 votos no plenário do Senado.

