Em evento sobre estabilidade financeira realizado em Washington, a vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed), Michelle Bowman, abordou a necessidade de os reguladores avaliarem a supervisão de novas tecnologias, como o Mythos, desenvolvido pela Anthropic. Bowman ressaltou que, apesar das vantagens que a inteligência artificial (IA) pode trazer, como a melhoria na cibersegurança ao permitir que empresas abordem vulnerabilidades autoidentificadas, também existem riscos significativos. “Se usada de forma maliciosa, poderia ser empregada para identificar e explorar fraquezas”, alertou a dirigente.
Bowman, que se refere ao trabalho da instituição em identificar e remediar riscos financeiros materiais, comentou que sua abordagem em relação à IA no sistema bancário é semelhante à adotada para outras tecnologias. A vice-presidente enfatizou que as diretrizes atuais devem auxiliar os bancos na implementação de ferramentas de IA de modo seguro, eficaz e eficiente.
“Hoje, os bancos estão confiando em estruturas de gerenciamento de risco existentes para orientar seu uso de IA. Embora essas ferramentas de supervisão sejam destinadas a apoiá-los na aplicação de uma governança e gerenciamento de risco, devemos avaliar se nossa orientação de supervisão está preparada para o futuro”, ponderou Bowman.
Recentemente, o Fed manteve sua taxa de juros de referência em um intervalo que varia entre 3,50% e 3,75%, em uma decisão que refletiu a maior divisão entre os membros da instituição desde 1992. A discussão sobre a supervisão da IA se insere em um contexto de incertezas econômicas, onde as autoridades estão cada vez mais atentas aos impactos que novas tecnologias podem ter no sistema financeiro.
A preocupação com a regulação da IA é um reflexo da necessidade de adaptar as práticas de supervisão às inovações que surgem no mercado, garantindo que os benefícios sejam aproveitados sem comprometer a segurança e a estabilidade financeira.

