O Banco Central do Brasil (BC) apresentou uma redução significativa em suas compras de ouro, que fazem parte de suas reservas internacionais. No ano de 2025, a instituição se destacou como o 4º maior comprador global, adquirindo 43 toneladas do metal. Entretanto, nos relatórios mensais do Conselho Mundial do Ouro (WGC) referentes aos primeiros meses de 2026, o Brasil não aparece entre os principais compradores, sinalizando uma mudança de estratégia.
Os dados do WGC indicam que, no primeiro trimestre de 2026, os bancos centrais do mundo compraram 244 toneladas de ouro em termos líquidos, mostrando uma alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, também foi observada uma atividade crescente de vendas, principalmente por parte de países como Turquia, Rússia e Azerbaijão.
O Conselho Mundial do Ouro projeta que as compras dos bancos centrais continuarão em patamares elevados, semelhantes aos de 2025. A demanda por ouro permanece robusta, mesmo diante da volatilidade dos preços e dos riscos geoeconômicos que podem influenciar o mercado. A entidade enfatiza que a possibilidade de reequilíbrio tático será impulsionada por interrupções no Oriente Médio e a necessidade de liquidez e gestão cambial.
Além disso, a incerteza geoeconômica continua a ser um fator que sustenta a demanda por ouro a longo prazo. A tendência de aquisição do metal precioso por bancos centrais é impulsionada por estratégias de desdolarização e pela busca por ativos que não estejam expostos a contrapartes, conforme apontado pelo WGC.
O preço do ouro, que atingiu quase US$ 5.600 por onça em 29 de janeiro, sofreu uma queda acentuada após o início do conflito entre EUA e Irã. Especialistas ressaltam que a alta nos preços da energia está elevando as expectativas de inflação global, o que pode levar os bancos centrais a manterem as taxas de juros elevadas por um período mais longo. Essa situação se torna um fator desfavorável para o ouro, que não gera juros, resultando em uma queda de 12% em março, a maior variação mensal negativa desde 2008.
Nos últimos dez anos, a participação do ouro nas reservas brasileiras cresceu expressivamente, especialmente a partir de 2020, quando passou de 1,19% para 7,19% do total. Em contrapartida, a presença de moeda americana nas reservas diminuiu, caindo de 83,46% em 2016 para 72% em 2025.

