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Delação de Vorcaro é considerada estratégia para proteger aliados, dizem investigadores

Investigadores apontam que a proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não apresenta informações relevantes e visa proteger aliados políticos, como o senador Ciro Nogueira, alvo de investigações por corrupção.

Os investigadores envolvidos no caso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro estão avaliando a proposta de delação apresentada por ele como insuficiente. De acordo com as informações obtidas, os integrantes da apuração suspeitam que Vorcaro estaria "escolhendo alvos" para delatar, enquanto se esforça para preservar aliados considerados fundamentais nas investigações.

Um dos aliados que estaria sendo protegido é o senador Ciro Nogueira, que nesta quinta-feira, 7, foi alvo de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF) sob alegações de corrupção e lavagem de dinheiro. Informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, indicam que a colaboração de Vorcaro omite dados já conhecidos pela PF, incluindo suspeitas de pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador em troca da defesa de interesses do banqueiro no Congresso.

Nos documentos relacionados a Nogueira, foram encontradas apenas referências genéricas que são consideradas favoráveis ao político. Esse trecho, segundo os investigadores, ganhou o apelido interno de "a beatificação de Ciro". Os arquivos entregues por Vorcaro às autoridades foram armazenados em dois pen drives, apresentados pelos advogados do ex-banqueiro no início da semana, mas não incluem novos elementos sobre figuras consideradas chave na apuração.

A avaliação dos delegados e procuradores envolvidos é de que Vorcaro está apostando na rede de influência que construiu junto a políticos e autoridades, buscando alternativas à colaboração premiada. O conteúdo apresentado é visto mais como uma estratégia de defesa do que uma real tentativa de cooperação com as autoridades. A PF alega que o senador do PP teria "instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados" do controlador do Master.

Além da proteção a Nogueira, a proposta de delação de Vorcaro também falha em aprofundar as relações do banqueiro com outras figuras influentes, incluindo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outros. Antes de iniciar as negociações, a defesa de Vorcaro havia sinalizado que o banqueiro apresentaria uma colaboração "séria e completa", sem a intenção de proteger aliados, mas essa promessa não se concretizou segundo a análise interna da PF.

Em uma conversa interceptada pela PF com sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro comparou o sistema bancário a uma organização mafiosa. Ele afirmou que "esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal". Esta declaração foi feita em 7 de abril de 2025, período em que tentava obter a aprovação do Banco Central para a venda do Master ao BRB, operação que foi posteriormente barrada pela autoridade monetária.

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