Um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo já causou a morte de pelo menos 80 pessoas na província de Ituri. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde congolês na noite de sexta-feira, 15 de setembro.
O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, anunciou que amostras analisadas na quinta-feira, 14 de setembro, revelaram a presença da Cepa Bundibugyo do vírus Ebola em três áreas de saúde: Rwampara, Mongwalu e Bunia. Até o momento, 246 casos suspeitos foram registrados na região, evidenciando a gravidade da situação.
Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês e diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, destacou que a Cepa Bundibugyo é uma variante rara e a sua confirmação complica a resposta às vacinas e tratamentos já existentes, que foram desenvolvidos para a cepa do Zaire. Ele ressaltou que, em 16 surtos anteriores no Congo, apenas um não foi causado pela cepa do Zaire.
O primeiro caso suspeito relacionado a este surto foi o de uma enfermeira que faleceu no Centro Médico Evangélico de Bunia, apresentando sintomas graves, como febre, sangramento e fraqueza extrema. A partir desse caso, a transmissão do vírus se espalhou rapidamente pelas áreas de saúde locais.
A África CDC, agência de saúde pública do continente, convocou uma reunião urgente com os países vizinhos após a confirmação do surto. No mesmo dia, o número de mortos já era de 65, com as mortes e casos suspeitos concentrados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara. Além disso, quatro mortes foram confirmadas entre os casos laboratoriais, com suspeitas também em Bunia, a capital da província.
As condições de saúde na província de Ituri são alarmantes, com instalações de saúde sobrecarregadas ou em situação crítica, conforme relatado por Médicos Sem Fronteiras. A organização humanitária também alertou sobre as condições de higiene precárias em locais de deslocados, aumentando o risco de surtos de doenças.

