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10 mil novos planetas foram descobertos

Utilizando dados da NASA combinados com técnicas de aprendizado de máquina, pesquisadores identificaram mais de 10 mil possíveis novos planetas em uma única análise astronômica. Em um estudo recente, cientistas aplicaram modelos de inteligência artificial aos dados coletados pelo satélite TESS, sigla para Transiting Exoplanet Survey Satellite, uma missão espacial da NASA dedicada à busca […]


Utilizando dados da NASA combinados com técnicas de aprendizado de máquina, pesquisadores identificaram mais de 10 mil possíveis novos planetas em uma única análise astronômica. Em um estudo recente, cientistas aplicaram modelos de inteligência artificial aos dados coletados pelo satélite TESS, sigla para Transiting Exoplanet Survey Satellite, uma missão espacial da NASA dedicada à busca de exoplanetas, ou seja, planetas localizados fora do Sistema Solar. Como resultado, foram encontrados exatamente 10.091 candidatos a exoplanetas que nunca haviam sido detectados anteriormente.

Quando astrônomos identificam possíveis planetas além do Sistema Solar, eles inicialmente recebem o status de “candidatos”. Isso ocorre porque são necessários estudos adicionais para confirmar que o objeto realmente é um planeta. Alguns desses sinais podem acabar sendo causados por outros fenômenos astronômicos, como estrelas binárias, pequenas variações naturais no brilho das estrelas ou até interferências e ruídos nos dados observacionais. Portanto, embora os resultados sejam extremamente promissores, ainda será necessário validar individualmente muitos desses candidatos.

Até o momento, a humanidade já confirmou mais de 6.200 exoplanetas, segundo registros astronômicos mantidos pela NASA. Com essa nova leva de candidatos, o número total de mundos conhecidos fora do Sistema Solar pode aumentar significativamente nos próximos anos.

O fato de tantos possíveis planetas permanecerem desconhecidos até agora pode parecer surpreendente, especialmente porque o satélite TESS está em operação desde 2018 e continua funcionando em missão estendida desde 2020. Entretanto, isso se explica pela maneira como o TESS realiza suas observações e pelo tipo específico de estrelas analisadas nesse novo estudo.

O TESS detecta exoplanetas utilizando o método de trânsito. Isso significa que o telescópio espacial observa pequenas diminuições no brilho de uma estrela quando um planeta passa em frente a ela do ponto de vista do observador.

Durante esse alinhamento, o planeta bloqueia uma pequena fração da luz estelar, produzindo uma queda temporária no brilho. Ao medir cuidadosamente essas oscilações luminosas, os cientistas conseguem estimar características importantes do possível planeta, como tamanho, órbita e frequência de trânsito.

Planetas que orbitam estrelas muito brilhantes costumam ser mais fáceis de detectar porque as variações de luminosidade são mais claras e perceptíveis. Contudo, o novo estudo concentrou-se justamente em estrelas muito mais fracas e difíceis de analisar. Os pesquisadores examinaram estrelas cerca de 16 vezes menos brilhantes do que aquelas normalmente priorizadas pelo TESS em buscas convencionais.

Para lidar com essa enorme quantidade de dados complexos, os cientistas utilizaram aprendizado de máquina, um ramo da inteligência artificial capaz de reconhecer padrões em grandes volumes de informação. O sistema analisou mais de 83 milhões de estrelas observadas durante o primeiro ano de funcionamento do TESS. Entre esses milhões de alvos, 10.091 apresentaram sinais compatíveis com objetos semelhantes a planetas realizando trânsitos diante de suas estrelas.

Naturalmente, nem todos esses candidatos necessariamente serão confirmados como exoplanetas reais. Por isso, a equipe iniciou testes adicionais para validar os resultados. Durante esse processo, os pesquisadores já conseguiram confirmar um dos candidatos detectados, um planeta denominado TIC 183374187 b.

Esse mundo parece ser um “Júpiter quente”, categoria de exoplanetas gasosos gigantes semelhantes a Júpiter, porém localizados extremamente próximos de suas estrelas hospedeiras. Essa proximidade faz com que apresentem temperaturas extremamente elevadas.

O planeta confirmado possui massa parecida com a de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, mas completa sua órbita em uma região muito mais próxima de sua estrela do que Júpiter em relação ao Sol.

Os pesquisadores pretendem expandir ainda mais esse trabalho. O estudo atual utilizou apenas os dados do primeiro ano de observações do TESS, mas a equipe planeja realizar análises semelhantes utilizando os dados do segundo ano da missão. Isso significa que o número de candidatos a exoplanetas pode crescer ainda mais nos próximos levantamentos.

Esse aumento acelerado nas descobertas de exoplanetas é particularmente impressionante porque ocorreu em um intervalo relativamente curto na história da astronomia moderna. O primeiro exoplaneta confirmado orbitando uma estrela semelhante ao Sol, chamado 51 Pegasi b, foi descoberto apenas em 1995.

Essa descoberta representou um marco científico extremamente importante, pois confirmou definitivamente algo que muitos astrônomos suspeitavam havia décadas: planetas ao redor de outras estrelas são comuns no Universo.

Desde então, missões espaciais como Kepler e TESS revolucionaram completamente o campo da pesquisa de exoplanetas. O telescópio Kepler, por exemplo, ajudou a demonstrar que nossa galáxia provavelmente contém bilhões de planetas. Já o TESS foi projetado para continuar essa busca em escala ainda maior, observando praticamente todo o céu em busca de novos mundos.

O uso crescente de inteligência artificial está tornando esse trabalho ainda mais eficiente. Sistemas de aprendizado de máquina conseguem analisar enormes quantidades de dados muito mais rapidamente do que humanos, identificando padrões sutis que poderiam passar despercebidos em análises convencionais. Isso é especialmente importante porque os telescópios modernos produzem volumes gigantescos de informações diariamente.

No futuro, a pesquisa de exoplanetas deverá avançar ainda mais com novos instrumentos espaciais em desenvolvimento. Um dos projetos mais aguardados é o telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, previsto para lançamento não antes de setembro de 2026. Esse observatório contará com um instrumento chamado coronógrafo, projetado para bloquear a luz intensa das estrelas e permitir observações diretas de planetas orbitando ao seu redor.

Diferentemente de missões focadas principalmente em aumentar o número de exoplanetas descobertos, o telescópio Roman terá como objetivo estudar esses mundos com muito mais profundidade.

Os cientistas esperam analisar características atmosféricas, composição química, formação planetária e possivelmente até condições relacionadas à habitabilidade. Isso poderá ajudar pesquisadores a compreender melhor como sistemas planetários se formam, como evoluem e quais tipos de ambientes existem em outras regiões da galáxia.

Embora ainda estejamos nos estágios iniciais da exploração detalhada de planetas além do Sistema Solar, avanços em inteligência artificial, telescópios espaciais e técnicas de observação estão acelerando rapidamente a descoberta de novos mundos.

Cada novo exoplaneta identificado amplia nosso entendimento sobre a diversidade de sistemas planetários existentes no Universo e aproxima a ciência de responder uma das questões mais importantes da humanidade: quão comum pode ser a existência de ambientes semelhantes à Terra fora do nosso Sistema Solar.

E, ainda mais no futuro, a NASA pretende expandir novamente esse campo com o seu Observatório de Mundos Habitáveis, que está atualmente em construção.

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Fonte:Paraná Jornal

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