O Ministério da Fazenda concedeu, em julho, a licença para a empresa 1xBet operar legalmente no Brasil, apesar de seu histórico de atuação irregular. A autorização foi dada em um contexto contraditório, em que o governo federal intensificou a sua posição contrária às casas de apostas ilegais. A 1xBet já enfrentava processos judiciais relacionados ao bloqueio de prêmios de apostadores brasileiros, levantando dúvidas sobre a coerência dessa concessão.
Documentos judiciais revelam que diversos clientes tiveram seus saques bloqueados pela plataforma. Nas defesas apresentadas em juízo, a empresa alegou não ter controle sobre o site que operava no Brasil, tentando transferir a responsabilidade. Contudo, essa justificativa foi rejeitada por tribunais em pelo menos quatro estados: Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Casos específicos ajudam a ilustrar a situação complicada que a 1xBet enfrenta. Em Goiás, a Defy Ltda, responsável pela operação da 1xBet no Brasil, pagou R$ 3,1 mil a um apostador que teve prejuízo antes da regulamentação, sem contestar a ação judicial. Em Santa Catarina, uma mulher teve R$ 5,2 mil bloqueados em janeiro de 2025, e a Justiça já determinou a devolução desse valor, com a empresa tendo perdido dois recursos em relação a esse caso.
A operação da 1xBet no Brasil é gerida pela Defy Ltda, que está localizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. A empresa possui vínculos com Carlos Eduardo Ferreira e com a Lutum Limited, registrada no Chipre, onde está situada a base da operação internacional. É importante notar que, durante o andamento dos processos, a Defy alterou sua razão social, anteriormente denominada 1xBet Intermediação de Negócios.
As apostas online no Brasil antes de 2025 ocorriam em uma espécie de “zona cinzenta” legislativa, sustentadas por sedes localizadas em outros países. A autorização para que a Defy funcionasse com a marca 1xBet no Brasil foi finalmente concedida em 29 de julho, após várias solicitações negadas desde o final de 2024.
Embora a 1xBet afirme que sua operação no Brasil é independente e que segue rigorosos padrões de compliance, governança e jogo responsável, o histórico de processos e bloqueios de prêmios levanta questões sobre a consistência entre a retórica do governo Lula contra as apostas ilegais e a decisão de permitir a operação de uma plataforma com um passado tão conturbado.

