Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), retornou de Genebra com novas responsabilidades e a urgência habitual. Recentemente, ele assumiu dois papéis importantes no cenário internacional: agora faz parte da comissão de combate ao antissemitismo do Congresso Judaico Mundial e co-preside o SECCA, um grupo dedicado ao enfrentamento do ódio antissemita em nível global.
A reunião anual do World Jewish Congress, realizada em Genebra, contou com a presença de líderes comunitários, diplomatas e representantes de diversos países. Este encontro, nos últimos anos, ganhou uma importância crescente, especialmente após o massacre promovido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que fez ressurgir o antissemitismo de maneira alarmante, embora muitos acreditassem que esse fenômeno estivesse superado.
O antissemitismo tem se manifestado em universidades, nas redes sociais e nas ruas de várias capitais democráticas, onde o ódio ao judaísmo se disfarça de discurso político, crítica geopolítica e indignação seletiva. Muitas vezes, esse comportamento encontra silêncio ou até cumplicidade, quando deveria ser enfrentado com repúdio.
Lottenberg, em entrevista à Revista Oeste, destaca sua experiência que une medicina, gestão hospitalar e liderança comunitária, posicionando-se como uma das principais vozes brasileiras no debate sobre tolerância, democracia e os limites do discurso de ódio. Ele analisa o crescimento do antissemitismo no mundo, os efeitos do ataque de outubro sobre as comunidades judaicas e sobre as democracias ocidentais, além dos desafios que o extremismo impõe a sociedades que ainda acreditam no Estado de Direito.
O presidente da CONIB também enfatiza que o Congresso Judaico Mundial tem alertado sobre o aumento significativo do antissemitismo em diferentes partes do mundo. Ele ressalta a responsabilidade das lideranças públicas, que devem ter cuidado com suas palavras, pois estas podem ter consequências profundas. Em sociedades polarizadas, um discurso que normalize hostilidade identitária pode incitar a intolerância.
Lottenberg reafirma que, apesar de governos serem transitórios, as relações entre países têm uma natureza permanente. Ele menciona que o Brasil possui laços históricos com o Estado de Israel desde sua fundação, tendo inclusive participado de maneira decisiva nesse processo em 1948. Além disso, o presidente da CONIB acredita que a sociedade brasileira, em sua maioria, mantém uma identificação e respeito pelo Estado de Israel e pelo povo israelense, da mesma forma que Israel expressa carinho e admiração pelo Brasil e seus cidadãos.

