A Polícia Federal (PF) anunciou nesta quarta-feira (20) a rejeição do acordo de delação premiada proposto por Daniel Vorcaro. De acordo com a análise realizada pela corporação, o banqueiro não apresentou informações inéditas que poderiam contribuir de forma significativa para o avanço das investigações em curso.
A decisão foi informada tanto à defesa de Vorcaro quanto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. No entanto, a possibilidade de um acordo de delação ainda não está completamente descartada, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode optar por aceitar a proposta, mesmo que a PF tenha se posicionado contrariamente.
A PGR possui a autonomia necessária para tomar uma decisão diferente da PF. Caso a Procuradoria decida pela aceitação do acordo, o Ministério Público formaliza a assinatura e encaminha o documento para homologação no STF. Se a PGR também considerar que as evidências apresentadas por Vorcaro são insuficientes, o banqueiro deverá enfrentar o processo penal de maneira convencional.
Mesmo se a PGR rejeitar o acordo atual, existe a possibilidade de que as negociações sejam reabertas no futuro, dependendo das novas evidências que a defesa de Vorcaro possa apresentar. A expectativa é que a transferência do banqueiro para uma cela comum o incentive a oferecer uma delação mais substancial e reveladora.
Até a última segunda-feira (18), Daniel Vorcaro estava detido em uma sala especial na Superintendência da PF, onde desfrutava de condições diferenciadas, como ar-condicionado e um banheiro privativo. Com a determinação do ministro Mendonça de transferi-lo para uma cela comum, Vorcaro agora tem direito a apenas duas visitas diárias, limitadas a 30 minutos cada.
A mudança de cela ocorreu após a finalização da fase inicial de elaboração do acordo de delação, com a defesa tendo apresentado uma proposta. A partir desse momento, as visitas frequentes de advogados não se mostraram mais necessárias. Investigadores aguardam que a nova proposta de delação apresentada pela defesa traga informações mais relevantes que possam justificar uma nova análise do caso.

