O deputado Mário Frias (PL-SP) deixou o Brasil e viajou ao exterior sem a devida autorização da Câmara dos Deputados, segundo um comunicado da Casa Legislativa encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 21. O ofício chegou ao conhecimento do ministro Flávio Dino, que havia estipulado um prazo de 48 horas para que o parlamentar apresentasse explicações sobre sua ausência.
O STF está tentando intimar Frias há mais de um mês para que ele esclareça a aplicação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, uma organização relacionada à produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A dificuldade em encontrar o deputado foi a razão para que a Câmara fosse consultada sobre sua situação.
De acordo com as informações contidas no ofício, Mário Frias protocolou dois pedidos de viagem internacional: um ao Bahrein, entre os dias 12 e 18 de maio, com afastamento solicitado de 11 a 19, e outro aos Estados Unidos, de 19 a 21 de maio, com afastamento de 18 a 22. A Câmara dos Deputados informou que esses pedidos ainda estão em fase de apreciação, sem aprovação prévia para as viagens.
Em resposta à situação, o deputado utilizou suas redes sociais para se manifestar. Em uma postagem, ele dirigiu-se ao ministro Flávio Dino, afirmando que estava em uma “agenda oficial”, com conhecimento de seu presidente Hugo Mota. Na mensagem, ele anunciou sua previsão de retorno ao Brasil no dia 25 de maio e se colocou à disposição do ministro para um encontro pessoal, considerando que seria uma boa oportunidade para prestar esclarecimentos.
Além disso, o ofício da Câmara assinala que o deputado esteve em licença médica entre os dias 14 e 27 de abril. A publicação nas redes sociais de Frias continha uma ironia sobre a solicitação de informações por parte do ministro: “Prezado Ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito”, escreveu, antes de reafirmar seu compromisso de retornar ao Brasil e se colocar à disposição para esclarecimentos adicionais.
A situação ressalta a complexidade da atuação parlamentar e as implicações legais que podem surgir quando há falta de autorização para viagens internacionais, especialmente em um contexto de questionamentos sobre a utilização de recursos públicos.

