As trocas de mensagens ocorreram entre 19 de novembro de 2024 e 8 de janeiro de 2025, período em que o BRB intensificou a compra de carteiras de crédito consignado do Banco Master. A PF identificou que pelo menos R$ 12,2 bilhões das carteiras adquiridas apresentavam fraudes, contendo créditos que não existiam.
A investigação aponta que o Banco Master enfrentava problemas de liquidez, o que o impediu de honrar pagamentos a investidores. Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido propina para autorizar pagamentos ao Banco Master por meio do BRB.
As conversas entre Costa e Garcia indicam uma falta de análise adequada das carteiras adquiridas. Em 26 de novembro, após um pagamento de R$ 181 milhões ao Banco Master, Paulo Henrique questionou sobre a legitimidade da carteira recebida, a qual foi informada como sendo de um fundo que não pertencia ao banco. A resposta de Garcia, que demonstrou confusão sobre as informações fornecidas, reforçou a falta de clareza nas transações.
Em 23 de dezembro de 2024, Paulo Henrique expressou insatisfação com o volume de uma carteira, considerando-a pequena para os padrões esperados. Ele então exigiu um aumento no prejuízo contabilizado para melhorar o resultado das cessões, o que levantou novas suspeitas sobre a manipulação dos dados financeiros do BRB.
Além disso, mensagens revelaram que ele negociou uma redução de 75% em um preço, com o intuito de liquidar operações financeiras rapidamente. Em 12 de dezembro, Garcia comunicou que havia enviado R$ 130 milhões ao Banco Master antes da formalização da carteira na B3, evidenciando a pressa nas operações.
Em 18 de dezembro, Garcia alertou sobre inconsistências em uma nova carteira recebida, mas mesmo assim, Paulo Henrique decidiu continuar com as compras. Já em 8 de janeiro de 2025, ele retomou as negociações para novas aquisições, incluindo a recompra de uma carteira e a proposta de troca de valores significativos, totalizando R$ 250 milhões em compras imediatas e R$ 750 milhões em trocas.

