Um violento confronto entre grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) resultou na morte de 48 rebeldes na floresta amazônica da Colômbia. O incidente ocorreu no departamento de Guaviare, onde as facções lutam pelo controle das rotas de tráfico de cocaína e pela exploração de áreas de mineração ilegal. O anúncio do massacre foi feito nesta quinta-feira, 28.
Os combates começaram em um momento crítico, a poucos dias da eleição presidencial programada para o dia 31 de maio. Willy Rodríguez, prefeito de San José del Guaviare, confirmou que os corpos dos combatentes permanecem na mata, dificultando o acesso das equipes de resgate, que enfrentam o isolamento da região e o risco de novos tiroteios.
A comunidade local vive em meio ao caos, com relatos de sangue e violência sendo repassados às autoridades. Os mortos pertencem às dissidências das Farc, que não aceitaram o acordo de desmobilização assinado em 2016 com o governo colombiano. O grupo mais poderoso na área é conhecido como Estado Maior Central (EMC), que controla vastas regiões rurais e utiliza os lucros do tráfico para manter sua estrutura armada.
O massacre representa um duro golpe nos esforços do presidente Gustavo Petro, que tentava avançar com sua proposta de "Paz Total". A suspensão das negociações com o Bloco liderado por um líder insurgente conhecido como Calarcá ocorreu como resultado direto deste conflito. A gestão de Petro, a menos de quatro meses do fim de seu mandato, observa o desmoronamento de quase todas as iniciativas de paz que havia promovido desde 2023.
O conselheiro presidencial de paz, Otty Patiño, foi encarregado de revisar as negociações com as facções, mas líderes camponeses acreditam que a retomada das conversas é improvável antes das eleições. Além disso, o Clã do Golfo, principal cartel de drogas da Colômbia, emitiu um comunicado rejeitando qualquer possibilidade de acordo sob a liderança do governo de Petro, o que agrava ainda mais a situação de segurança no país.
As Forças Armadas da Colômbia foram instruídas a aumentar a presença de soldados nas áreas de votação, em resposta ao temor de que a disputa entre as facções remanescentes das Farc possa desencadear uma série de atentados urbanos, visando intimidar eleitores e fiscais de partidos de oposição.

