A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, manifestou a posição do país em defesa do princípio de "não interferência" em resposta à recente decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Em uma coletiva de imprensa, Mao afirmou que a China sustenta a ideia de não se envolver em assuntos internos de outras nações.
O anúncio da classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas estrangeiros foi feito pelo Departamento de Estado dos EUA nesta quinta-feira, 28. Essa medida foi divulgada após a visita do senador pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente dos EUA, Donald Trump. Flávio Bolsonaro expressou seu agradecimento nas redes sociais, destacando a importância da união na luta contra o narco-terrorismo.
A reação do governo brasileiro foi contrária à posição norte-americana. O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a decisão, considerando-a um "pretexto para intervenção" no Brasil. Amorim ressaltou a relevância da segurança pública para o desenvolvimento socioeconômico e afirmou que o crime organizado deve ser combatido, mas que a cooperação internacional deve ser respeitosa e não servir como justificativa para intervenções.
Além disso, Mao Ning confirmou a visita oficial do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, à China, programada para ocorrer entre 31 de maio e 2 de junho. A porta-voz destacou que a relação entre os dois países é uma das mais importantes para a China no contexto de parcerias com nações em desenvolvimento.
Durante a visita, espera-se que Brasil e China fortaleçam a confiança mútua e avancem na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado. Mao Ning afirmou que a China está comprometida em promover a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global, contribuindo assim para a paz e a estabilidade mundial.

