O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, nesta segunda-feira (29), a expectativa de que os Estados Unidos colaborem com o Brasil na entrega de investigados e condenados que se encontram em território americano. A declaração foi feita um dia após o governo dos EUA classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante seu discurso, Lula destacou que o Brasil está preparado para trabalhar em conjunto no combate ao crime organizado e mencionou que a colaboração poderia começar pelo estado de Delaware, onde, segundo ele, há atividades de lavagem de dinheiro ligadas a brasileiros. O presidente solicitou especificamente a entrega de Alexandre Ramagem, que cumpre uma pena de 16 anos e estaria escondido nos EUA.
Além de Ramagem, Lula também mencionou o empresário Ricardo Magro, que é associado ao grupo Refit e é considerado um dos maiores contrabandistas de combustível no Brasil. Ele revelou que já havia entregue a Donald Trump informações sobre Magro, incluindo seu nome e endereço, e reiterou a necessidade de que os EUA entreguem os brasileiros que se encontram em seu território.
As declarações do presidente ocorreram em resposta à decisão do Departamento de Estado dos EUA, que, segundo o governo brasileiro, pode levantar questões sobre a soberania nacional e provocar possíveis ações unilaterais por parte de Washington. Lula enfatizou que a cooperação no combate ao crime organizado deve ser um esforço conjunto entre os dois países.
O presidente também comentou sobre sua recente conversa com Donald Trump, na qual tratou da questão da entrega de investigados. Lula expressou que não aceita ser tratado de maneira desrespeitosa e mencionou que apresentou quatro documentos ao presidente americano durante o encontro.
Em sua fala, Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua defesa da classificação das facções criminosas como organizações terroristas, sugerindo que sua visita aos EUA estava relacionada a interesses pessoais em vez de preocupações com a segurança nacional. O presidente também fez referência ao senador Marco Rubio, insinuando que ele estaria mais preocupado em ajudar aliados políticos do que em colaborar com o Brasil.

