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Colômbia denuncia interferência eleitoral do Equador em meio a eleições presidenciais

O governo colombiano acusou o presidente equatoriano, Daniel Noboa, de tentar influenciar a eleição presidencial na Colômbia ao vincular a revogação de tarifas comerciais a acordos políticos com um candidato opositor, em meio a uma disputa comercial entre os países.

O governo da Colômbia fez uma acusação direta neste sábado, 30, contra o presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmando que ele teria tentado interferir nas eleições presidenciais da Colômbia. A denúncia se refere à revogação de tarifas sobre produtos colombianos, que foi vinculada a acordos políticos com um candidato da oposição, em um momento crítico que antecede a votação marcada para este domingo, 31, que definirá o sucessor do presidente Gustavo Petro.

Em um comunicado oficial, as autoridades colombianas esclareceram que a decisão do Equador de eliminar, a partir de 1º de junho, as tarifas comerciais não é um gesto de boa vontade de Quito, mas sim uma imposição da Comunidade Andina de Nações, que determinou a remoção das barreiras comerciais entre os dois países. Essa situação é vista como parte de uma série de tensões comerciais que emergiram desde janeiro, quando o Equador impôs sobretaxas de até 100% sobre as importações colombianas, levando a uma guerra comercial.

Na última sexta-feira, 29, Noboa anunciou, através da plataforma X, a revogação da chamada taxa de segurança sobre as importações colombianas, um movimento que, segundo ele, ocorreu após um diálogo com o candidato opositor Abelardo de la Espriella, que é um dos favoritos nas pesquisas. Noboa expressou a intenção de fortalecer a cooperação em áreas como comércio, energia e segurança, especialmente no combate ao narcoterrorismo.

No entanto, a relação entre Noboa e o presidente Gustavo Petro é tensa, e Noboa não esclareceu se manteria a mesma postura em caso de vitória do candidato governista, Iván Cepeda. O governo colombiano criticou a maneira como a revogação das tarifas foi apresentada, considerando que isso distorce seu fundamento jurídico e institucional.

Em um dos trechos mais contundentes do comunicado, a gestão de Petro afirmou que a ação de Noboa representa uma violação clara do princípio de não intervenção em assuntos internos e uma ameaça à soberania e ao sistema democrático da Colômbia. Além disso, o governo colombiano destacou que qualquer decisão comercial que impacte trabalhadores e comunidades deve ser baseada em critérios técnicos e jurídicos, e não por motivos eleitorais.

Apesar das críticas, o governo colombiano anunciou que também irá revogar as medidas retaliatórias que havia imposto ao Equador, incluindo tarifas sobre produtos do país vizinho, buscando restabelecer a simetria nas relações comerciais bilaterais. A disputa entre os dois países andinos continua a se desenrolar em um cenário de tensões políticas e comerciais.

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