O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de críticas durante o Fórum de Lisboa, conhecido como "Gilmarpalooza". O jornalista Sérgio Tavares o interpelou com perguntas incisivas, levando a uma situação tensa que culminou em empurrões por parte da segurança do evento. Tavares não hesitou em expressar sua indignação, questionando o ministro sobre sua postura em relação a um suposto golpe de Estado e suas ações que, segundo ele, visam à censura e à perseguição política.
As críticas de Tavares foram contundentes. Ele perguntou a Gilmar Mendes se o ministro não sente vergonha por estar associado a um "golpe" e por sua suposta participação em ações que promovem a censura. Além disso, o jornalista mencionou sua detenção no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 2024, questionando a moralidade do STF ao participar de eventos em Portugal, enquanto havia enviado um repórter independente para a prisão. "Um órgão que é marcado por corrupção, perseguição política e censura, não tem vergonha de vir para Portugal fazer negócios obscuros?", indagou Tavares, elevando o tom de sua fala.
Durante a discussão, Tavares exclamou que integrantes do STF não eram bem-vindos em Portugal, afirmando: "Nós não vos queremos em Portugal. Não queremos corruptos em Portugal". O influenciador Adriano Castro, conhecido como Didi Redpill, estava presente e registrou a cena em vídeo. Ele também questionou Mendes sobre brasileiros que se encontram em situações de asilo e exílio político, mas o ministro afirmou que não tinha conhecimento de tais casos.
Adriano Castro vive atualmente na Polônia como asilado político, sendo o primeiro brasileiro a obter esse status no país em mais de trinta anos. Durante o evento, Gilmar Mendes aproveitou para abordar a importância da regulação das redes sociais, destacando a necessidade de um "esforço supranacional" para lidar com a influência das grandes empresas de tecnologia. Essa declaração foi feita na abertura do XIV Fórum de Lisboa, um evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e pela Fundação Getulio Vargas.
Mendes enfatizou que as democracias estão enfrentando novos desafios diante da concentração de poder econômico e informacional nas mãos das big techs. Ele argumentou que essas plataformas digitais exercem uma influência sem precedentes sobre a circulação de informações e o debate público, e que os esforços isolados de um país não são suficientes para enfrentar esse fenômeno. Para ele, a soberania na era digital deve ser afirmada por meio da cooperação internacional, e não pelo isolamento.

