Em 17 de junho de 2026, às 14h05, a Polícia Federal (PF) informou que uma empresa associada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) adquiriu uma participação nos negócios de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com um desconto significativo de 92% sobre o valor estimado. Essa operação, segundo a PF, teria sido estruturada para facilitar o acesso à distribuição de lucros, conhecidos como "dividendos".
A investigação teve início após um alerta do Coaf, que detectou um pagamento de R$ 1 milhão realizado por uma empresa vinculada ao parlamentar. Esse valor é considerado pela PF como parte de uma movimentação financeira que se dá por meio de participação societária. Os investigadores afirmam que o modelo utilizado na transação sugere uma "engenharia societária" direcionada a transformar um repasse financeiro em um investimento formal.
O caso envolve a venda de 30% da Green Investimentos, anteriormente controlada por um fundo associado a Vorcaro. A fatia foi comprada pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, na qual Ciro Nogueira é sócio, por R$ 1 milhão. Contudo, avaliações internas do grupo de Vorcaro indicavam que o valor total da empresa era de R$ 43,5 milhões. Com isso, a participação adquirida pelo senador teria um valor estimado em R$ 13 milhões, resultando em um desconto de 92,3%.
Em um trecho do relatório, a PF observa que, sob a perspectiva de uma negociação comum, os recursos provenientes da venda deveriam ser destinados ao patrimônio do fundo vendedor, e não ao caixa da empresa que teve a participação vendida. Os investigadores apontam que o fluxo financeiro da operação não segue os padrões do mercado, uma vez que o pagamento foi feito diretamente à própria empresa envolvida, e não ao fundo que vendeu a participação.
Adicionalmente, o contrato que formalizaria a transação não teria sido registrado de imediato em registros formais de mercado, caracterizando-se como um acordo privado. Em uma conversa interceptada, Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, mencionou a necessidade de manter a operação fora de registros públicos, afirmando que o Acordo de Acionistas Trinity limitava essa operação, devido ao direito de preferência.
De acordo com a PF, o retorno do investimento teria ocorrido em julho de 2024, quando a Trinity Energias Renováveis distribuiu R$ 2,4 milhões em lucros. Desses valores, os investigadores estimam que cerca de R$ 720 mil teriam sido atribuídos à participação de Ciro Nogueira, quantia que praticamente cobre o investimento inicial em um único ciclo de distribuição.

