Na noite de quarta-feira, 24 de outubro, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de grande magnitude, com apenas 40 segundos de intervalo entre eles. O primeiro tremor, com magnitude 7,2, teve seu epicentro nas proximidades de San Felipe, a capital do estado de Yaracuy. O segundo, considerado o mais devastador, alcançou a magnitude de 7,5 e afetou a região de Yumare, também no estado de Yaracuy.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (25) que o balanço atual é de 164 mortos e 971 feridos, com a ressalva de que esses números podem aumentar à medida que as equipes de resgate progridem nas áreas afetadas. A situação se agrava no estado de La Guaira, que foi declarado zona de catástrofe, onde numerosos prédios desabaram, incluindo um grande hotel localizado à beira-mar na cidade de Macuto, que ficou reduzido a escombros. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que atende a capital Caracas, sofreu danos significativos e teve suas operações suspensas.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a devastação, com poeira levantada, fachadas de edifícios em colapso e cidadãos em pânico nas ruas de diversas cidades, incluindo Caracas, Miranda, Aragua, Carabobo, Trujillo e Falcón. Os tremores foram sentidos também na Colômbia e no norte do Brasil, evidenciando a intensidade dos eventos sísmicos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou a situação como potencialmente catastrófica. O sistema PAGER, que avalia o impacto humanitário de grandes sismos, estima entre 10 mil e 100 mil mortes, com 44% de probabilidade de que o número fique nessa faixa e 33% de chance de que ultrapasse 100 mil óbitos. Essa projeção considera fatores como a magnitude dos tremores, a profundidade dos epicentros, a densidade populacional e a vulnerabilidade das construções. A baixa profundidade dos sismos contribuiu para a severidade dos danos em várias localidades.
Em resposta ao desastre, Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, anunciou o envio imediato de equipes de resgate e ajuda humanitária. A situação é alarmante, pois a Venezuela já enfrentava uma crise econômica e institucional profunda antes dos terremotos. O país lida com a escassez de alimentos, a deterioração da infraestrutura hospitalar, o êxodo de mais de seis milhões de pessoas e um governo sob sanções internacionais. Essa combinação de construções antigas e sem padrões sísmicos adequados, infraestrutura degradada e um sistema de saúde comprometido torna a nação especialmente vulnerável a desastres de grande magnitude.
O terremoto mais significativo registrado anteriormente na Venezuela ocorreu em 1997, com magnitude 6,8, resultando em cerca de cem mortes. Os sismos de 24 de outubro são os mais poderosos a atingir o país em mais de um século, conforme afirmam as autoridades locais. A sequência de tremores, ambos com magnitude acima de 7 e ocorrendo em uma área densamente povoada, gerou um nível de destruição que ainda está sendo avaliado. O número oficial de mortos, atualmente em 164, deve aumentar à medida que as equipes de resgate alcançam regiões de difícil acesso nos estados afetados.

