Neste domingo (28), a África do Sul e o Canadá se enfrentam na abertura da fase de eliminação da Copa do Mundo. Apesar do tradicional apoio mútuo entre os países africanos no futebol, uma mobilização crescente tem sido notada, com nações do continente se unindo para torcer contra a seleção sul-africana, conhecida como Bafana Bafana.
A influenciadora e dançarina congolesa Promess Kayirenzi utilizou suas redes sociais para expressar o descontentamento de muitos africanos em relação à África do Sul. Em um vídeo, Kayirenzi expôs as razões que levaram a essa animosidade, destacando o histórico de xenofobia no país. "A África do Sul é um país xenofóbico, onde muitos africanos, especialmente moçambicanos, são vítimas de violência. Estrangeiros vão em busca de melhores condições de vida, mas enfrentam um ambiente hostil", afirmou.
Kayirenzi também destacou que a discriminação racial em solo sul-africano é alarmante. "Os negros enfrentam dificuldades, enquanto brancos e indianos vivem sem restrições. Há áreas que não aceitam a presença de negros, e a situação é insustentável", completou. A influenciadora recebeu apoio de várias mensagens de brasileiros e, ao ser questionada se a África do Sul poderia ser vista como 'a Argentina do continente africano', ela confirmou.
A imprensa africana tem dado atenção ao sentimento anti-África do Sul, relatando incidentes recentes que envolvem ataques a estrangeiros. No começo de junho, o governo de Moçambique anunciou que sete cidadãos moçambicanos foram mortos em ataques xenofóbicos na Baía de Mossel, com cerca de 800 pessoas afetadas por vandalismos e confrontos entre sul-africanos e imigrantes.
Esse clima de hostilidade não é novo. Em maio de 2008, a África do Sul vivenciou uma onda de violência contra estrangeiros, resultando em mortes e saques em Joanesburgo. Notícias da época revelaram que muitos foram queimados vivos e dezenas de lojas foram destruídas, com mais de 200 prisões realizadas.
Desde o fim do apartheid em 1994, a África do Sul atraiu muitos imigrantes em busca de oportunidades e segurança. Cidadãos de países como Moçambique, República Democrática do Congo, Zimbábue e Zâmbia foram alguns dos que buscaram refúgio e trabalho no país.

