O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) examine dados encontrados nos celulares do advogado Frederick Wassef. A decisão foi proferida na terça-feira, 30 de junho de 2026, e o material foi coletado durante a investigação relacionada ao caso das joias recebidas por autoridades durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal localizou as informações de maneira incidental, classificando-as como "eventos fortuitos", já que não estão diretamente ligadas ao foco principal da investigação. A PGR terá um prazo de 15 dias para avaliar o conteúdo e se manifestar sobre eventuais "hipóteses criminais" que possam surgir a partir da análise.
Além disso, Moraes determinou que o material seja desmembrado do inquérito principal, tornando-se um procedimento autônomo e sigiloso. Essa decisão está alinhada com o entendimento da PGR, que já havia concordado com a separação do conteúdo, argumentando a falta de conexão com a investigação central.
A Procuradoria anteriormente havia defendido o arquivamento do inquérito principal, que apura a suposta apropriação de presentes recebidos por autoridades brasileiras, alegando a ausência de legislação específica que tipificasse o crime. Assim, a análise da PGR agora se concentrará exclusivamente nas informações obtidas dos dispositivos apreendidos.
Frederick Wassef, por sua vez, emitiu uma nota em que alega ter sofrido uma violação de suas prerrogativas como advogado durante a busca e apreensão. Ele contestou a legalidade da operação, afirmando que a busca foi realizada sem a presença de um representante da OAB, o que, segundo ele, contraria uma determinação do próprio ministro relator.
Wassef criticou ainda a condução do processo, argumentando que houve descumprimento de decisão judicial, o que, conforme ele, cria um precedente perigoso para a advocacia no Brasil. Ele declarou que a busca e apreensão é nula e ilegal, alegando que não existem indícios de irregularidades em seus celulares.

