Na manhã de 6 de julho de 2026, a Polícia Federal iniciou a Operação Véu de Maia, que visa apurar um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a operadores de apostas ilegais. A investigação revela que a organização criminosa estaria utilizando 87 empresas de fachada para movimentar recursos financeiros em várias partes do Brasil.
Estão sendo executados nove mandados de busca e apreensão em cidades como Goiânia (GO), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre (RS) e Canoas (RS). A coordenação dos trabalhos está a cargo da Superintendência Regional da Polícia Federal em Goiás.
A apuração foi desencadeada a partir de informações recebidas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os dados levantados indicaram que diversas empresas funcionavam como “laranjas”, facilitando a ocultação e movimentação de valores por parte de operadores irregulares do setor de apostas.
Além da lavagem de dinheiro, as investigações também estão analisando a possibilidade de remessas ilegais de recursos para o exterior, utilizando criptomoedas como meio de transação. Os envolvidos na operação poderão enfrentar acusações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa, entre outros crimes que possam ser identificados durante o processo.
A problemática das apostas ilegais tem recebido crescente atenção do governo federal. Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, mencionou que aproximadamente 25,2 milhões de brasileiros utilizam plataformas de apostas que não estão regulamentadas.
Estudos apontam que as perdas econômicas associadas a essas apostas ilegais chegam a R$ 38,8 bilhões anualmente, sendo que cerca de 80% desse prejuízo está relacionado a impactos na saúde pública. Além disso, estima-se que entre 41% e 50% das plataformas de apostas operando no país sejam irregulares. A Secretaria de Prêmios e Apostas já bloqueou mais de 40 mil domínios de sites que não cumprem a legislação brasileira.

