A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 8 de novembro, duas medidas que intensificam a pressão da oposição sobre a política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira ação foi a aprovação de uma moção de repúdio ao Ministério das Relações Exteriores, seguida pela convocação do ministro Mauro Vieira para que ele preste esclarecimentos sobre um parecer do Itamaraty relacionado à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Apresentada pelo presidente da comissão, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, a moção critica a postura adotada pelo Itamaraty. No documento, Orleans e Bragança argumenta que a diplomacia brasileira teria abandonado a tradição de atuação técnica e institucional, optando por uma abordagem “militante e ideologizada” na condução da política externa. Essa mudança, segundo o deputado, compromete os interesses nacionais do Brasil.
O parlamentar ressaltou que a condução da política externa, sob a orientação do presidente Lula, do assessor especial Celso Amorim e do ministro Mauro Vieira, priorizou uma agenda ideológica em detrimento de uma negociação pragmática e rigor técnico. Para ele, essa abordagem resultou em uma postura de confronto e uma retórica inflexível, prejudicando a busca por soluções equilibradas através do diálogo bilateral.
Outra questão levantada durante a reunião da comissão foi a investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos, com base na Seção 301 do Trade Act, que teve início em julho de 2025. Essa investigação analisa práticas comerciais brasileiras e pode levar ao aumento de tarifas sobre produtos do Brasil.
O episódio que gerou a moção de repúdio teve origem em um requerimento de informações do deputado Evair de Melo, que questionou o Itamaraty sobre a classificação das facções criminosas. Em sua resposta, o ministério alertou que uma eventual designação dessas facções como grupos terroristas pelos Estados Unidos poderia abrir espaço para interpretações que justificassem ações militares norte-americanas em território brasileiro. Essa avaliação, contudo, foi contestada pelo Departamento de Estado dos EUA, que a considerou “absurda”.
Durante a reunião da comissão, Evair de Melo criticou a resposta do Itamaraty, classificando-a como “frágil” e “genérica”. Ele também afirmou que, na prática, Mauro Vieira muitas vezes atua como uma figura decorativa no Itamaraty, enquanto a pauta internacional é conduzida por Celso Amorim, o ex-chanceler do Brasil.

