Mariângela Fialek, apontada pela Polícia Federal como suposta operadora das emendas parlamentares do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se manifestou nesta sexta-feira (10) sobre as acusações que recaem sobre sua atuação. A advogada assegurou que suas funções sempre foram de natureza técnica, apartidária e impessoal, desmentindo qualquer irregularidade.
Em defesa, foi ressaltado que todo o material de trabalho de Mariângela é acessível ao público. As informações sobre as indicações de emendas são enviadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e estão disponíveis no Portal da Transparência, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal. A defesa enfatizou que não há atribuição de irregularidades funcionais ou criminais à advogada.
Mariângela Fialek destacou ainda que não possui histórico de vinculação partidária, tendo exercido funções como assessora na Subchefia de Assuntos Jurídicos durante o governo Lula (PT) em 2003, na Subchefia de Assuntos Parlamentares sob a gestão de Michel Temer e como assessora parlamentar de Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal, por sua vez, alega que a advogada está sob suspeita de operar emendas do chamado orçamento secreto. Em dezembro do ano passado, ela foi alvo da Operação Transparência e deveria estar afastada de atividades relacionadas ao orçamento. Entretanto, a PF observou que, entre junho de 2024 e março deste ano, Mariângela e outros dois servidores, Garigham Amarante e Nara Brum, teriam desviado cerca de 21 emendas, totalizando R$ 119,2 milhões em recursos.
Atualmente, Mariângela ocupa o cargo de servidora administrativa na Diretoria Administrativa da Câmara, setor de Infraestrutura e Patrimônio, após ter sido assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL). Garigham Amarante está alocado no gabinete da liderança da oposição, enquanto Nara Brum atua na liderança do PL.
Em nota, os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, que representam Valdemar, afirmaram que não existem provas ou indícios que comprovem a adesão consciente do presidente do PL a uma organização criminosa. A defesa argumentou ainda que a decisão do STF pode ser interpretada como uma criminalização da atividade político-partidária. Os advogados defendem que é legítimo para um presidente de partido dialogar com parlamentares e influenciar sua bancada, sem que isso configure um ato criminoso.

