O deputado federal Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, direcionou um total de R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares para três cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) localizadas no Paraná. Esse investimento é significativo, especialmente porque é 2,5 vezes maior do que o montante que ele destinou ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no estado onde foi eleito, que foi de R$ 680 mil.
Os recursos foram empregados no ano passado e beneficiaram cooperativas em Jardim Alegre, Centenário do Sul e Londrina. A Cooperativa de Comercialização Camponesa Vale do Ivaí (Cocavi), situada em Jardim Alegre, recebeu a maior parte, totalizando R$ 1,06 milhão. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, namorada de Lindbergh, visitou a Cocavi em abril deste ano, demonstrando a conexão entre os dois e a importância política da cooperativa.
A emenda que garantiu os recursos para a Cocavi foi apresentada em 2024, mas o governo empenhou os fundos apenas em novembro de 2025. Além da Cocavi, a Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho (Coprari) recebeu R$ 374 mil, enquanto a Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon) em Londrina, recebeu R$ 260 mil.
Gleisi Hoffmann exerceu o cargo de deputada federal até março de 2025, quando assumiu a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Ela também ocupou a presidência do Partido dos Trabalhadores entre junho de 2017 e março de 2025, o que reforça sua influência nas decisões políticas que envolvem os recursos destinados às cooperativas.
Recentemente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, impôs restrições ao envio de emendas para estados que não sejam aqueles pelos quais os parlamentares foram eleitos. Essa decisão, que ocorreu em 2024, visa evitar práticas que possam levar a distorções e favorecimentos políticos. Dino intimou os dirigentes dos 21 partidos com representação no Congresso a se manifestarem sobre a influência que exercem na destinação de emendas parlamentares, dando um prazo de dez dias para a resposta.

