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Lula critica diplomatas dos EUA e ignora ações de Biden durante eleições

O governo Lula afirma que a visita de diplomatas dos EUA tinha como objetivo descredibilizar o sistema eleitoral, enquanto o Departamento de Estado nega a acusação e menciona ações da administração Biden em 2022.

Em 26 de julho de 2026, às 12h28, o Departamento de Estado dos EUA qualificou de "mentira sem fundamento" a alegação de que a visita de diplomatas americanos ao Brasil visava desacreditar o sistema eletrônico de votação. O órgão declarou que "qualquer insinuação de uma 'manobra' para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento", em resposta a informações divulgadas pela imprensa.

Os diplomatas Riley Barnes, secretário assistente, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto, tinham programados encontros com autoridades, líderes religiosos e jornalistas. Na última sexta-feira, o Itamaraty negou os vistos solicitados por ambos, mas o governo Lula não fez uma declaração oficial sobre a decisão. Em um ato público, o presidente Lula afirmou que "quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vão (sic) apanhar muito", indicando que a visita seria uma tentativa de interferência.

A estratégia de criar um clima de tensão e mobilizar a militância ao acusar os EUA de tentar interferir nas eleições não é nova. Essa narrativa tem como objetivo vincular Flávio Bolsonaro a uma suposta submissão a Donald Trump, buscando vantagens eleitorais. Contudo, essa tentativa de deslegitimar a visita dos diplomatas não se sustenta diante dos fatos conhecidos.

A visita de diplomatas de baixo escalão da administração Trump é considerada risível, especialmente quando se compara com as ações mais evidentes da administração Joe Biden durante as eleições de 2022. Em julho daquele ano, por exemplo, o então secretário de Defesa, Lloyd Austin, visitou Brasília e se reuniu com o ministro da Defesa e líderes militares brasileiros, enfatizando a "necessidade" de controle civil sobre as Forças Armadas e o respeito aos resultados democráticos.

Além de Austin, Victoria Nuland, ex-subscretária de Estado para Assuntos Políticos, também esteve no Brasil, onde discursou sobre a confiança de Washington nas instituições brasileiras e no sistema eleitoral, em resposta a uma reunião entre Bolsonaro e embaixadores. Durante o primeiro semestre de 2022, uma série de outros funcionários dos Departamentos de Estado e Defesa dos EUA visitou Brasília, incluindo William Burns, diretor da CIA, e Jake Sullivan, Conselheiro de Segurança Nacional.

Informações posteriores revelaram que o então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, havia solicitado apoio dos americanos para impedir um segundo mandato de Jair Bolsonaro, o que conferiu um significado mais amplo à sua conhecida declaração "vencemos o bolsonarismo!". Em meio a essas circunstâncias, a crítica à visita dos diplomatas americanos parece ser uma tentativa de desviar a atenção da própria realidade política.

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