Na semana passada, o senador Cleitinho protagonizou um episódio controverso relacionado à sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Após gravar um vídeo ao lado do cacique Marcos Pereira, expressando sua dor pela morte do irmão e afirmando que não disputaria mais a eleição, Cleitinho surpreendeu a todos ao recuar dessa decisão no dia seguinte. Durante a convenção do seu partido, ele declarou que, sob pressão dos candidatos proporcionais e do povo mineiro, decidiu ser, sim, candidato. Afirmou: “Se o povo não desistiu de mim, eu não vou desistir do povo”, em uma referência a Dom Pedro I, rompendo com a Corte portuguesa.
A trajetória de Cleitinho, que se apresenta como um vendedor e tem se promovido como um estadista, levanta questões sobre sua real capacidade política. Ele é frequentemente comparado ao humorista Tiririca, conhecido por suas paródias e dancinhas nas redes sociais, e que, até o momento, não conseguiu demonstrar que é mais do que isso.
Além das questões pessoais, a instabilidade em torno de sua candidatura teve repercussões negativas, especialmente em relação ao palanque montado para Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, que é considerado um estado crucial em qualquer corrida eleitoral. A defesa de Cleitinho pelo fim da escala 6×1 também levanta dúvidas sobre sua lógica e bom senso em decisões políticas.
A neutralidade adotada por Marcos Pereira na disputa presidencial e a pressão do Supremo Tribunal Federal geraram um cenário complicado. Essa pressão impossibilita, por exemplo, que Dani Marques aceite um cargo na campanha de Flávio ou seja anunciada como futura ministra, o que poderia influenciar eleitores indecisos.
Diante desse cenário, o PL formalizou a candidatura de Flávio Roscoe, que substitui Cleitinho. Roscoe, ex-presidente da FIEMG, é um líder empresarial com um histórico de defesa de pautas da direita, como a responsabilidade fiscal e o corte de impostos. Ele se opõe à expansão indiscriminada de benefícios sociais, como o Bolsa Família, e não hesita em criticar Alexandre de Moraes, especialmente em relação a operações contra empresários bolsonaristas.
Com a mudança de candidatos, o eleitor mineiro que via em Cleitinho uma opção viável para fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro agora pode reconsiderar sua escolha. A expectativa é de que a nova dinâmica eleitoral leve os eleitores a priorizar valores e coerência em suas decisões, deixando um cenário de incertezas para o futuro da candidatura em Minas Gerais.

