O filme A Margem do Rio foi um dos vencedores do prestigiado Festival de Locarno, realizado na Suíça, recebendo o Prêmio Especial do Júri. A obra, que teve sua estreia nesta semana, representou o Brasil na mostra competitiva, sendo a única produção nacional a participar do evento.
Classificado como um “horror erótico e mágico”, A Margem do Rio é dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, que fazem sua estreia na direção de longas-metragens. Os cineastas destacam que o reconhecimento da obra, ambientada em Recife (PE), evidencia a força do cinema nordestino no cenário internacional e a relevância de criadores LGBTQIA+.
Ao receber o prêmio, Matheus Farias expressou a importância da desobediência e da profanação na luta por visibilidade da comunidade LGBT. Ele afirmou que a aceitação não é garantida por comportamentos adequados e ressaltou a necessidade de continuar desafiando as normas sociais. "Estamos sempre à margem", comentou o diretor.
A trama é protagonizada por Ítalo Martins, conhecido por seus papéis em O Agente Secreto e Guerreiros do Sol, e Caique Copque, que atuou no premiado filme Mapas. Martins demonstrou seu orgulho em participar do projeto, ressaltando as dificuldades de se fazer cinema no Nordeste e a criatividade dos realizadores da região.
O enredo do filme explora a conexão entre dois jovens que enfrentam a marginalização na sociedade pernambucana. Juntos, eles lutam para sobreviver em meio a um contexto de violência que ameaça a vida dos jovens.
A justificativa do Festival de Locarno para premiar A Margem do Rio destaca sua “jornada cheia de paciência, solidariedade, atração, violência, corpos, sexo”, caracterizando-o como um horror erótico e mágico que se insere na tradição política do cinema brasileiro. A energia vibrante que caracteriza a estreia de um longa-metragem foi um dos pontos elogiados pelo festival.

