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Hackathon da NASA destaca desafios enfrentados por universitários no Brasil

Em 2025, a cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul, recebeu o maior hackathon do mundo, organizado por um aluno, evidenciando as dificuldades que a universidade enfrenta em promover um ambiente inovador e colaborativo.

Em outubro de 2025, Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul, foi palco do maior hackathon do mundo, evento que simultaneamente ocorreu em 550 cidades de 167 países, reunindo mais de 114 mil participantes. Essa iniciativa global foi coordenada pela Divisão de Ciências da NASA, e o Local Lead da cidade era um aluno de graduação.

O autor do texto, Jeferson Scheibler, relata que sua trajetória com o NASA Space Apps começou durante o ensino médio técnico, quando participou pela primeira vez, de forma remota, durante a pandemia. Sua experiência inicial deixou uma impressão duradoura, revelando que problemas reais poderiam ser abordados através de dados abertos, criatividade e um foco intenso durante 48 horas.

Nos anos seguintes, Scheibler tentou participar das edições presenciais do evento, mas as distâncias geográficas sempre foram um obstáculo. O que mais o incomodava, além da logística, era a percepção de que muitos talentos se formavam na universidade e partiam, não por falta de capacidade, mas pela ausência de um ambiente propício ao desenvolvimento.

Ao tentar criar um hackathon por conta própria no ano anterior, Scheibler enfrentou dificuldades devido à falta de apoio e estrutura, aprendendo valiosas lições com o insucesso. Contudo, no ano seguinte, foi aprovado como organizador do NASA Space Apps, recebendo treinamentos diretos da equipe global. O evento teve grande adesão, com as vagas esgotadas e uma lista de espera, mas a maior resistência encontrada por ele não veio de fora da universidade.

Scheibler destaca que a burocracia universitária se tornou o principal empecilho para a realização do evento, que colocou Lajeado no mapa global da inovação. Ele ressalta que essa não é uma crítica pessoal, mas um diagnóstico de um sistema que reflete escolhas e prioridades que muitas vezes não favorecem a inovação.

O autor aponta um problema frequente na universidade brasileira: a discrepância entre o que se declara como espaço inovador e o que realmente se pratica. Ele questiona quem deve criar o ambiente necessário para que os alunos possam desenvolver suas ideias e critica a resistência institucional diante da iniciativa estudantil.

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