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Ficção aborda as experiências de irmãos perseguidos durante a ditadura militar

O livro 'Projeto Futuro', de Danilo Heitor, transforma a história de Rosalina e Fernando Santa Cruz em uma narrativa ficcional que explora a luta contra a repressão durante a ditadura militar brasileira.

O autor Danilo Heitor lança o livro 'Projeto Futuro' pela editora País Nenhum, que retrata as experiências de Rosalina Santa Cruz e de seu irmão, Fernando Santa Cruz. Rosalina, uma figura emblemática da resistência à ditadura militar, e Fernando, um preso político desaparecido em 1974, são os protagonistas da narrativa que combina ficção e história real.

A obra segue Soraia e Leilane, duas amigas que estão prestes a concluir o ensino médio. Ao acessarem um e-mail de forma acidental, elas descobrem um projeto secreto iniciado durante a ditadura que utilizava presos políticos como cobaias em experimentos de viagem no tempo. O projeto, que foi interrompido, é retomado em tempos modernos, levantando questões éticas e morais sobre o uso da ciência e da história.

Rosalina Santa Cruz foi uma militante ativa em organizações de esquerda como a Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e a VAR-Palmares. Durante os anos de repressão, ela foi presa no Rio de Janeiro em 1971 e 1974, onde enfrentou diversas formas de tortura, incluindo choques elétricos e confinamento em celas frias e escuras, conhecidas como “geladeira”.

Fernando, seu irmão, era estudante e também militante da APML. Em 23 de fevereiro de 1974, ele foi capturado por agentes da repressão aos 26 anos e nunca mais foi visto. A busca de Rosalina por informações sobre seu irmão culminou na denúncia de seu desaparecimento, que foi reconhecido pelo Estado, apesar das tentativas da ditadura de ocultar a verdade. A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Fernando foi assassinado pela repressão, embora seu corpo nunca tenha sido encontrado, com suspeitas de que sua morte tenha ocorrido em locais como o DOI-CODI de São Paulo ou a Casa da Morte em Petrópolis.

Atualmente, Rosalina se dedica à defesa dos direitos humanos e à preservação da memória dos desaparecidos políticos, além de atuar como professora e pesquisadora na área de Serviço Social. Ela compartilha suas experiências difíceis, afirmando que transformar essas vivências em ficção é uma forma de confrontar seu passado traumático.

Danilo Heitor, ao escrever para jovens estudantes, busca tornar a história da ditadura mais acessível e relevante. Ele considera que a ficção científica é uma ferramenta eficaz para despertar o interesse dos alunos por um tema que, muitas vezes, parece distante e pouco atraente para eles.

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