O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu início à primeira sessão plenária da Corte nesta quarta-feira (2), sem mencionar as mensagens de Daniel Vorcaro que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. A sessão teve início por volta das 14h20, com Fachin cumprimentando os ministros e outros presentes, e a pauta do dia sendo discutida normalmente. A ministra Cármen Lúcia participou do encontro por videoconferência.
Os ministros Moraes e André Mendonça, que é o relator do caso que resultou na divulgação das mensagens, estiveram presentes no plenário, sentados lado a lado. O encontro ocorreu um dia após os dois discutirem o conteúdo da investigação. Durante toda a sessão, não houve manifestações públicas sobre o episódio por parte deles.
O procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também esteve presente na sessão. Seu nome aparece nas mensagens recuperadas pela Polícia Federal, que foram obtidas a partir do celular de Vorcaro. A ausência de comentários sobre as mensagens se deu algumas horas depois de Fachin ter se pronunciado sobre a situação em um evento no Supremo, onde afirmou que a Corte tomará as medidas adequadas após a avaliação das informações e o cumprimento dos procedimentos internos.
Fachin descreveu o momento como de “especial gravidade” e destacou que os indícios que foram divulgados exigem o devido encaminhamento institucional. Ele afirmou que, após a análise necessária, comunicará as medidas que forem cabíveis e necessárias, enfatizando que isso será feito com “serenidade, responsabilidade e firmeza”.
A pauta regular da sessão foi mantida e incluiu discussões sobre a cobrança de ITBI em operações do setor imobiliário, além de outras questões tributárias e trabalhistas. O relatório da Polícia Federal está no centro da crise, uma vez que as mensagens que provocaram reações foram localizadas no celular de Daniel Vorcaro, que foi apreendido durante a investigação do Banco Master. O material foi enviado ao STF e teve seu sigilo levantado por Mendonça na terça-feira (1º).
O relatório contém conversas entre Vorcaro e Moraes, além de referências a outros membros de instituições públicas. A Polícia Federal indicou que o banqueiro buscava informações sobre investigações que poderiam afetar seus interesses. Mendonça determinou que o material fosse analisado pelo plenário do Supremo, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a nulidade da investigação, argumentando que o relator não poderia, por iniciativa própria, aprofundar diligências para investigar outro ministro da Corte.

